Burnham alerta Macron para impacto da agenda ‘feito na UE’ na economia britânica

Londres, 03 set 2026 (Lusa) – O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, confrontou hoje o Presidente francês, Emmanuel Macron, com o impacto que o programa “Made in Europe” poderá ter na economia britânica devido à exclusão de empresas do Reino Unido. 

Num encontro em Downing Street, residência do chefe de Governo britânico em Londres, os dois falaram sobre as relações anglo-europeias e o desejo de Londres de se aproximar da União Europeia (UE) num contexto pós-Brexit. 

Segundo um porta-voz, o primeiro-ministro britânico explicou a Macron que a agenda “Made in Europe´ pode colocar desafios significativos à indústria britânica”. 

Uma proposta feita em março pela Comissão Europeia para a aceleração industrial introduz requisitos específicos de fabrico na UE (“Made in EU”) na contratação pública e subsídios em setores estratégicos como o aço, o cimento, o alumínio ou o automóvel.

Londres tem feito esforços para as empresas britânicas serem consideradas europeias, tal como está a fazer o Canadá, mas tem enfrentado resistência de países europeus como França, segundo a comunicação social britânica. 

Os dois líderes acabaram por concordar ser “fundamental trabalhar em conjunto para encontrar uma solução que proteja interesses comuns”.

Relativamente à Ucrânia, Burnham e Macron fizeram um balanço da reunião da chamada Coligação da Boa Vontade para a Ucrânia, realizada na semana passada, em Kiev, na qual os aliados de Kiev comprometeram-se no reforço urgente de meios militares.

Os dois governantes discutiram os próximos passos para a criação, naquele país, de linhas de montagem locais do míssil de longo alcance SCALP, que utiliza tecnologia britânica e é denominado no Reino Unido de ‘Storm Shadow’. 

A situação no Médio Oriente foi outro dos temas abordados, nomeadamente a necessidade de conter o conflito no estreito de Ormuz e a recente decisão de Israel para expandir o colonato de E1. 

Burnham reiterou considerar a decisão “inaceitável” porque “contribui apenas para comprometer a possibilidade de uma solução de dois Estados”.

Durante o encontro, os dois líderes abordaram também a imigração ilegal pelo Canal da Mancha, e os resultados positivos produzidos pela cooperação entre os dois países na redução do número de travessias.

Os dois governantes consideraram essencial alargar esse modelo a toda a Europa, para dissuadir a migração ilegal.

O Presidente francês conclui hoje uma viagem de dois dias em Londres, que incluiu uma visita ao Museu Britânico com o Rei Carlos III a propósito da exposição da Tapeçaria de Bayeux.

Criada há quase mil anos, foi emprestada pela França ao Reino Unido pela primeira vez para uma exposição que vai prolongar-se até julho de 2027.  

A obra narra a conquista normanda da Inglaterra por Guilherme, o Conquistador, em 1066, e que culminou na Batalha de Hastings.

O primeiro-ministro britânico voltou a agradecer o empréstimo da Tapeçaria, “considerando que a peça simboliza os laços comuns entre o Reino Unido e a França e constitui uma mensagem de unidade num mundo cada vez mais dividido”.

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