
Bruxelas, 25 abr 2026 (Lusa) — O embaixador do Brasil junto da União Europeia (UE) considera que o paÃs pode ser, “desde já”, uma alternativa ao petróleo do Médio Oriente no fornecimento energético à Europa, nomeadamente em biocombustÃveis e combustÃvel para a aviação.
“O Brasil pode ser uma alternativa desde já. Nós estamos a crescer, de forma exponencial, na nossa produção de energia limpa, para nós brasileiros, seja solar, seja eólica, seja biomassa. Nós somos um paÃs que tem condições excelentes para a produção do hidrogénio verde e já estamos a produzir”, afirmou Pedro Miguel da Costa e Silva, em entrevista à agência Lusa em Bruxelas.
Numa altura em que se teme na UE uma eventual escassez de combustÃveis –sobretudo para a aviação — devido ao conflito no Médio Oriente e à s suas perturbações no fornecimento de petróleo, o embaixador brasileiro destacou “uma questão central, que já poderia ser uma solução para a Europa neste momento de crise, que é a questão dos biocombustÃveis”.
“Nós temos a nossa matriz com os famosos carros flex fuel, de gasolina e etanol, e isso poderia ser usado aqui também — teria ajudado a Europa, pode ajudar a Europa”, apontou, numa alusão aos veÃculos com motores que podem funcionar com qualquer um destes combustÃveis.
Falando numa “resistência ideológica e sem base cientÃfica aos biocombustÃveis” do Brasil na UE, Pedro Miguel da Costa e Silva disse esperar que “essa atitude mude”.
“Pode ajudar a Europa, inclusive, no combustÃvel de aviação, o SAF [combustÃvel sustentável de aviação], mas por enquanto a Europa continua com uma visão de que vai usar só combustÃveis com base em restos de cozinha e coisas do género”, referiu.
O biocombustÃvel brasileiro, sobretudo o etanol de cana, enfrenta resistências na UE, apesar de ser uma alternativa mais limpa aos combustÃveis fósseis, por preocupações ambientais, questões regulatórias e de certificação e tensões económicas com produtores europeus.
“Acho que a cooperação connosco pode aumentar muito”, apontou Pedro Miguel da Costa e Silva, lembrando que o Brasil já é um dos fornecedores para o mercado europeu de combustÃveis fósseis e também poderia ser de biocombustÃveis.
“Não queremos só aumentar as nossas exportações, nós estamos abertos a produzir biocombustÃveis na Europa com empresas europeias em parceria”, adiantou o responsável.
O Brasil é lÃder mundial na produção de biocombustÃveis, com destaque para o etanol (cana-de-açúcar/milho) e o biodiesel (soja/óleos residuais).
A União Europeia tem incentivado a importação de biocombustÃveis para cumprir metas de redução de emissões de carbono.
A atual crise energética na Europa, causada pela guerra do Irão provocada por ataques norte-americanos e israelitas, gera preocupações sobre os combustÃveis, incluindo o ‘jet fuel’ (combustÃvel de aviação).
A Comissão Europeia tem alertado para possÃvel escassez e adotou medidas como diversificação de fornecedores, aumento de reservas estratégicas e incentivo ao uso de combustÃveis sustentáveis para aviação (SAF).
As atuais tensões geopolÃticas têm causado volatilidade recente nos preços globais de energia pelas perturbações no fornecimento de petróleo através de rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz.
Na entrevista à Lusa, Pedro Miguel da Costa e Silva assinalou ainda que o Brasil possui “alguns dos minerais crÃticos mais importantes”, como nióbio, lÃtio, bauxite (alumÃnio), minério de ferro, manganês e grafite, que são essenciais para tecnologias como baterias, veÃculos elétricos e infraestruturas energéticas.
“Há amplo espaço para colaboração com empresas europeias, desde que se entenda que nós temos interesse não só em atividades de extração dos minerais crÃticos para trazer para a Europa, mas também na industrialização no Brasil”, adiantou.
Esta abundância torna o paÃs um potencial parceiro estratégico para a UE.
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*** Ana Matos Neves, da Agência Lusa ***
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