Brasil passa a contar com 26 patrimónios mundiais reconhecidos pela UNESCO

Brasília, 27 jul 2026 (Lusa) — O Governo brasileiro celebrou hoje um reconhecimento que reforça “a dimensão essencial da Amazónia” e destacou que o país tem 26 sítios inscritos na lista do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

A celebração ocorre após a entidade internacional reconhecer como patrimónios mundiais o conjunto arquitetónico composto pelo Teatro Amazonas (1896), em Manaus, e pelo Theatro da Paz (1878), em Belém.

Os dois teatros de ópera nos estados do Amazonas e Pará, na região Norte do Brasil, já estavam classificados como património da cultura brasileira pelo Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1960.

Para o presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, o reconhecimento da Unesco reforça “a dimensão essencial da Amazónia” e valoriza a sociedade amazónica.

“Mais do que reconhecer a importância histórica e económica do período em que foram erguidos, a chancela da Unesco aos Teatros da Amazónia projeta esses valores para o presente, destacando o que eles simbolizam hoje para a sociedade amazónica, para o Brasil e para o mundo”, disse num comentário feito à Lusa.

“Esse reconhecimento também reforça uma dimensão essencial da Amazónia: ela é natureza, mas é também um território de cultura, memória, criatividade e património, cuja riqueza humana é indissociável de sua biodiversidade”, explicou.

Com a aprovação pela UNESCO, os dois edifícios históricos passam a figurar juntos na lista da Unesco, sob a designação “Teatros da Amazónia”, ao lado de outros sítios brasileiros já reconhecidos como Património Mundial Cultural.

Ao todo, 16 são culturais, nove são bens naturais e um é sítio é de bens misto.

Fazem parte dessa lista o centro histórico de Ouro Preto, em Minas Gerais, reconhecida em 1980, seguido do centro histórico de Olinda (1982), em Pernambuco, e do centro histórico de Salvador (1985), na Baía, o Plano Piloto em Brasília (1987).

Na área de bens naturais, estão a área de conservação do Pantanal (2000), a área de conservação da Amazónia Central (2000) e o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses (2024).

Em nota, o Ministério da Cultura afirmou que os dois teatros representavam um mesmo projeto de modernização urbana e de inserção da região amazónica nos circuitos comerciais e culturais globais, tendo sido duas das primeiras grandes casas de ópera das Américas e atraído companhias europeias para temporadas em Belém e Manaus.

“Idealizados por uma elite seduzida pelos ideais da Belle Époque e erguidos por trabalhadores locais, ao longo do tempo os teatros transcenderam o propósito de seus fundadores”, explicou o Ministério da Cultura.

O ministério acrescentou que, ao longo do tempo, os espaços ultrapassaram a função original e passaram a acolher também manifestações da cultura popular brasileira, do carimbó ao jazz, do boi-bumbá ao cinema, tornando-se marcos cívicos e culturais das duas cidades e o primeiro Património Mundial Cultural da região Norte do Brasil.

Ambos os teatros foram construídos no final do século XIX nos dois maiores centros urbanos da Amazónia, com os recursos gerados pelo auge da exploração da borracha, quando a procura mundial de látex transformou a região num dos principais pólos económicos do Brasil e permitiu reproduzir nos trópicos o requinte cultural e arquitetónico europeu.

A odisseia para erguer essas construções numa região isolada e rodeada pela selva, onde praticamente todos os materiais tinham de chegar por barco após atravessarem o Atlântico e subirem o rio Amazonas, inspirou o célebre filme alemão “Fitzcarraldo” (1982), cujo protagonista sonha em construir um teatro de ópera na selva.

A última vez que a Unesco reconheceu algum sítio brasileiro como patrimónios mundiais foi em 2025, com o Cânion do Rio Peruaçu, em Minas Gerais, e Paraty e Ilha Grande, ambas no Rio de Janeiro, com o título de “Cultura e Biodiversidade”.

MYMA (APL)// ANP

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