
Lisboa, 01 jul 2026 (Lusa)– Brasil e São Tomé e PrÃncipe estão entre os paÃses de lÃngua oficial portuguesa que concorrem a sÃtios do Património Mundial da UNESCO, cujo comité se reunirá para decidir, em Busan, Coreia do Sul, de 20 a 29 de julho.
O Brasil concorre à lista do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), na categoria SÃtios Culturais, com os “Teatros da Amazónia”.
Na mesma categoria, São Tomé e PrÃncipe concorre com “As roças de São Tomé e PrÃncipe: Sistema colonial agrÃcola e migração forçada”.
Segundo a UNESCO, na 48.ª sessão do Comité do Património Mundial será examinada, entre outras questões, a inscrição de 30 novos sÃtios na lista do Património Mundial, assim como propostas relativas a três sÃtios já inscritos. Além disso, refere a UNESCO, “será avaliado o estado de conservação de 147 sÃtios já incluÃdos nesta lista”.
Na sua candidatura, o Brasil invoca que tanto o teatro Amazonas (teatro do Amazonas) como o teatro da Paz, construÃdos no final do século XIX e que estão localizados na Amazónia brasileira, nas cidades de Manaus e Belém, respetivamente, “são monumentos importantes situados nos dois maiores centros urbanos da região, sÃmbolos do ‘boom’ económico alcançado” e representado por um modelo de civilização europeia “reproduzido nos trópicos devido ao ciclo da borracha na América do Sul”.
Os responsáveis da candidatura brasileira referem que, em termos de autenticidade, “os teatros da Amazónia preservam, até aos dias de hoje, as suas caracterÃsticas tipológicas e morfológicas referentes ao final do século XIX e inÃcio do século XX, mantendo ainda a sua posição de destaque na área urbana em que se encontram. Além disso, a profusão de elementos decorativos integrados e sumptuosos contribui para a magnificência de ambos os edifÃcios, podendo-se perceber o efeito deslumbrante que provocam”.
Por seu turno, São Tomé e PrÃncipe invoca, na sua candidatura, denominada “As roças de São Tomé e PrÃncipe: Sistema colonial agrÃcola e migração forçada”, que o perÃodo de implantação das roças no paÃs começou com a introdução da monocultura do cacau e do café no século XIX.
Segundo a candidatura, esse perÃodo surgiu como um centro de produção agrÃcola histórico colonial, “semelhante ao sistema feudal, cujo processo de produção se realizava através do trabalho forçado, onde a mão-de-obra provinha de vários paÃses da costa africana, nomeadamente Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, Cabo Verde, Benim, Congo e Serra Leoa”.
Para os responsáveis da candidatura são-tomense, a “roça”, que atingiu o seu auge no final do século XIX e inÃcio do século XX, refere-se a um sistema agrário e social de propriedade rural, marcado pela monocultura do cacau e do café.
Em termos de autenticidade, “em Sundy, Monte Café, Agua-lzé, as infraestruturas urbanas, arquitetónicas e sociais têm atributos como hospitais, creches, escolas, igrejas e infraestruturas recreativas que não foram recriadas ou recentemente construÃdas”.
Na lista das propostas de inscrição que serão analisadas na Coreia do Sul, Portugal concorre na categoria sÃtio cultural com as “Fortalezas bastiônicas da Raia”.
Também nessa categoria, concorrem, além de São Tomé e PrÃncipe, mais dois paÃses africanos: a República Democrática do Congo, com o “Parque Nacional de Garamba”, e as Comores, com “As medinas dos Sultanatos históricos das Comores”.
Na categoria sÃtios naturais, o Sudão do Sul candidata-se com a “Paisagem Migratória Boma-Badingilo”.
Até à data, o Comité do Património Mundial inscreveu 1.248 sÃtios em 170 paÃses na lista do Património Mundial.
Segundo a UNESCO, a classificação como Património Mundial permite reconhecer e proteger sÃtios de valor universal excecional — sejam eles naturais, culturais ou mistos – e “compromete os Estados membros a preservar estes locais emblemáticos”.
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