
Brasília, 22 jul 2026 (Lusa) — O Governo brasileiro anunciou hoje 18 mil milhões de reais, cerca de 3,11 mil milhões de euros, em créditos para ajudar empresas afetadas pelas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos.
Chamado “Plano Brasil Soberano III”, o programa também abrange os setores afetados pela guerra no Médio Oriente.
Segundo o Palácio do Planalto, os recursos poderão ser utilizados para capital operacional, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos, além de prospecção e abertura de novos mercados.
Entre os principais setores atingidos pela medida de Washington estão os do aço, do alumínio, dos automóveis e móveis, da madeira, do carvão, de máquinas e equipamentos elétricos, as cerâmicas, os plásticos, o calçado, o papel e o açúcar.
Para ter acesso aos créditos, o Governo brasileiro impôs algumas condições, como, por exemplo, a manutenção dos empregos.
Na semana passada, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, em inglês) confirmou a aplicação da nova tarifa aos produtos brasileiros, por entender que o Brasil tem adotado práticas comerciais “desleais” às empresas norte-americanas.
O Plano Brasil Soberano 3 também abrangerá setores prejudicados pela guerra no Médio Oriente, especialmente aqueles que exportam para países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irão, Kuwait e Omã.
“Também serão contemplados setores considerados estratégicos para a balança comercial e para a segurança produtiva do país”, mencionou o Palácio do Planalto no comunicado.
Na nota são citados fertilizantes, minerais críticos e estratégicos, produtos químicos, farmacêuticos, têxteis, automóveis, equipamentos eletrónicos, máquinas e materiais elétricos.
Ao anunciar a nova linha de crédito, o Presidente brasileiro, Lula da Silva, afirmou que “há males que vêm para o bem” e disse acreditar que o Brasil pode procurar novos parceiros comerciais e sair fortalecido.
“Mesmo com a decisão abrupta do Governo americano (…), estamos conversando com países para ganhar mais do que estávamos ganhando. Temos que procurar saída, o Brasil é grande, respeitado, tem credibilidade conquistada no mercado internacional”, declarou.
Lula voltou a repetir que “ninguém vai ganhar do Brasil mentindo”, em referência aos argumentos usados por Washington para justificar as tarifas aos produtos brasileiros.
“Nós estamos na mesa de negociação, já mandámos vários documentos e propostas, eu pessoalmente fui aos Estados Unidos (…), a gente nunca encontrou reciprocidade na conversa. Isso vai aumentar o nosso antagonismo aos Estados Unidos? Não”, afirmou.
Em seguida, disse que o Brasil “não vai sair da mesa de negociação” e que cabe aos EUA dizer “que não vão negociar”.
Após o discurso de Lula, durante conferência de imprensa no Palácio do Planalto, as autoridades brasileiras foram categóricas em repetir que o Governo ainda avalia o “momento adequado” para aplicar a Lei da Reciprocidade, e voltaram a negar que uma eventual medida terá como finalidade uma retaliação.
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