
Redação, 08 jul 2023 (Lusa) – O embaixador da Rússia nos Estados Unidos, Anatoli Antonov, considerou a decisão de enviar bombas de fragmentação para a Ucrânia como mais uma provocação dos EUA que “aproxima a humanidade de uma nova guerra mundial”.
Antonov descreveu a ação dos EUA como um “gesto de desespero”, mostrando que os EUA “e os seus satélites se aperceberam da sua impotência”.
Neste sentido, o representante russo denunciou “a brutalidade e o cinismo” das autoridades norte-americanas ao abordar “a questão do fornecimento de armas letais a Kiev”.
O embaixador russo disse que “as provocações dos EUA estão realmente fora de escala” e Washington está “tão obcecado com a ideia de derrotar a Rússia que não se apercebe da gravidade das suas ações”.
A interferência da potência ocidental “só causa mais vÃtimas e prolonga a agonia do regime de Kiev”, lê-se num comunicado divulgado pela embaixada russa na plataforma Telegram, na sexta-feira.
A Rússia também denunciou que os Estados Unidos “ignoraram as opiniões negativas dos aliados sobre os perigos do uso indiscriminado de munições de fragmentação”, assim como “fecharam os olhos à s vÃtimas civis”.
No entanto, Antonov garantiu que o fornecimento de armas ocidentais “não impedirá de forma alguma a realização dos objetivos da operação militar especial destinada a erradicar as ameaças à segurança da Federação Russa, incluindo o nazismo alimentado na Ucrânia”.
O Presidente dos EUA disse que foi “difÃcil”, mas necessária, a decisão de enviar bombas de fragmentação para a Ucrânia, como parte do novo pacote de ajuda militar, justificado por “os ucranianos estão a ficar sem munição”.
Numa entrevista à cadeia de televisão CNN, Joe Biden indicou que a decisão foi acertada com os aliados, apesar das reservas da Alemanha e das crÃticas da organização não-governamental Human Rights Watch (HRW).
As bombas de fragmentação foram proibidas em mais de uma centena de paÃses devido ao risco de causar danos a civis, uma vez que muitos subprojéteis lançados não explodem, podendo permanecer enterrados no solo e serem acionados facilmente.
A ofensiva militar lançada em 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia foi justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia, invasão condenada pela comunidade internacional que tem respondido com envio de armamento, além da imposição de sanções polÃticas e económicas à Rússia.
Mais de nove mil civis, incluindo 500 crianças, foram mortos desde o inÃcio da invasão russa, em 24 de fevereiro de 2022, disse a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, num comunicado divulgado na sexta-feira, dia em que os combates ultrapassaram a marca dos 500 dias.
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