
Kiev, 23 jun 2026 (Lusa) — Novos bombardeamentos russos mataram hoje pelo menos nove pessoas e provocaram mais de 30 feridos no sul e centro da Ucrânia, numa altura em que Kiev prossegue, por sua vez, os ataques contra a Crimeia ocupada.
Em Kryvii Rig, na região de Dnipropetrovsk (centro-leste), um ataque com mÃsseis russos que atingiu uma infraestrutura civil provocou a morte de dois homens e uma mulher, ferindo também 26 pessoas, de acordo com um balanço final divulgado pelo governador regional, Oleksandr Ganja, na plataforma Telegram.
Segundo o responsável ucraniano, os ataques russos também mataram outros três civis, duas mulheres e um homem, e feriram outros seis no distrito de Nikopol.
Na região de Zaporijia (sul), a queda de “três bombas aéreas” russas sobre a localidade de Marivka causou a morte de uma mulher e deixou outras duas feridas, anunciou o governador local, Ivan Fedorov, também através da rede social Telegram.
Em Kherson, cidade do sul da Ucrânia situada nas margens do rio Dniepr, que marca a linha da frente neste setor, um ataque russo também matou uma mulher, informou no Telegram o governador regional, Oleksandre Prokoudine.
Uma mulher de 26 anos foi morta numa praia de Odessa (sul) durante ataques com drones russos realizados em plena luz do dia contra zonas costeiras desta grande cidade à beira do Mar Negro, indicou, por sua vez, o Ministério Público local, precisando que um homem também ficou ferido durante esses bombardeamentos.
Do lado das forças ucranianas, Kiev anunciou novos ataques contra vários alvos na Crimeia, nomeadamente contra uma ponte ferroviária, uma central elétrica e a outras infraestruturas, numa altura em que a Ucrânia procura isolar a penÃnsula controlada pela Rússia.
Nas últimas semanas, a Crimeia tornou-se um dos principais alvos de ataques de drones ucranianos que atingiram sobretudo a rede logÃstica, provocando escassez de produtos essenciais, nomeadamente combustÃveis.
As autoridades russas tiveram de suspender a venda de gasolina a civis, à medida que a Ucrânia intensificou a sua recente campanha para interromper as linhas de abastecimento e a rede elétrica, no auge da época turÃstica de verão.
A penÃnsula de importante valor estratégico no Mar Negro foi tomada à força e anexada ilegalmente por Moscovo em 2014.
Os ataques ucranianos de longo alcance têm destacado a sua capacidade de infligir danos graves à Rússia e de exercer pressão adicional sobre o Kremlin (presidência russa), enquanto os avanços de Moscovo têm, nos últimos meses, praticamente estagnado, afirmam analistas e responsáveis ocidentais.
O ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, afirmou na semana passada que as suas forças estão a “isolar a Crimeia com drones”.
“Parece que, num futuro próximo, a Crimeia se tornará uma ilha. Isto poderá levar a consequências muito inesperadas para os russos”, afirmou Fedorov no canal de YouTube de um ‘influencer’ ucraniano.
Em consequência dos ataques ucranianos, as autoridades da penÃnsula da Crimeia cancelaram todos os campos de férias e outras atividades de turismo e lazer até setembro, por motivos de segurança.
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