
São Paulo, 29 mai 2023 (Lusa) — O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro terá provocado um calote de 10,6 mil milhões de reais (1,9 mil milhões de euros) no banco estatal Caixa Económica Federal na tentativa de vencer as eleições presidenciais, avançou o portal de notÃcias UOL.
Numa série de reportagens, o UOL contou como Bolsonaro editou duas medidas em março, antes do perÃodo oficial das eleições, para conceder créditos a devedores de baixo rendimento que apoiavam o atual Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e conquistar mais votos neste segmento.
As medidas, inéditas, permitiram distribuir dinheiro principalmente no perÃodo eleitoral, mas acabaram por não surtir o efeito esperado.
Os recetores destes empréstimos, porém, agiram de forma previsÃvel e não pagaram os empréstimos obtidos junto da Caixa Económica Federal, o que expôs a instituição financeira ligada ao Governo central brasileiro a um nÃvel de risco inédito.
A reportagem mostrou que em 17 de março de 2022, Bolsonaro e o então presidente da Caixa, Pedro Guimarães, assinaram duas medidas provisórias.
A primeira criou uma linha de microcrédito para pessoas com ‘nome sujo’, expressão usada no Brasil para denominar devedores que não conseguem fazer empréstimos.
Até à s eleições, a Caixa emprestou 3 mil milhões de reais (560 milhões de euros) neste programa, chamado de SIM Digital e que permitia empréstimos de 300 reais (56 euros), 1.000 reais (186 euros), inclusive a quem tinha dÃvidas reconhecidas de até 3.000 reais (560 euros).
Esta primeira medida provisória definia que qualquer banco podia participar, mas a Caixa Económica Federal foi a única empresa a assumir o risco e o incumprimento dos participantes deste programa está em 80% este ano, segundo a atual gestão do banco estatal.
A outra medida provisória de Bolsonaro permitiu empréstimos consignados ao AuxÃlio Brasil com juros muito elevados, o que poderá absorver grande parte dos recursos destinados aos participantes do principal programa de transferência de rendimento do Governo brasileiro.
Entre a primeira e a segunda volta das eleições presidenciais, a Caixa Económica Federal concedeu 7,6 mil milhões de reais (1,4 mil milhões de reais) no âmbito do AuxÃlio Brasil.
O programa foi criticado por reduzir o valor do benefÃcio social para pagar o empréstimo e acabou paralisado sem aviso logo após a derrota de Bolsonaro para o atual Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo a reportagem do UOL, estas e outras ações fizeram com que no último trimestre de 2022 o Ãndice de liquidez de curto prazo da Caixa Económica Federal  — um indicador de risco pelas instituições financeiras — chegasse ao menor nÃvel já registado pelo banco, que tem 162 anos de existência.
O ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente da Caixa Económica Federal Pedro Guimarães foram questionados pelo UOL, mas não fizeram comentários.
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