
Florianópolis, Brasil, 07 ago 2021 (Lusa) — O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, disse hoje que “um ou dois” juÃzes do Supremo Tribunal “não irão decidir o destino” do paÃs, numa referência à crise institucional causada pela sua campanha para desacreditar o atual sistema eleitoral eletrónico.
“Faremos tudo pela nossa liberdade, por eleições limpas, democráticas. Eleição fora disso que eu falei não é eleição. Há mais de um ano tenho advertido que temos que ter eleições limpas no Brasil. Não continuem nos provocando, não queiram nos ameaçar. Quem está com Deus e com o povo tem o poder” afirmou, citado pela CNN Brasil, o chefe de Estado brasileiro, num discurso perante centenas de apoiantes em Florianópolis, estado de Santa Catarina, no sul do Brasil.
“Um ou dois juÃzes do Supremo Tribunal Federal não vão decidir o destino de uma nação. Quem foi votado, quem tem legitimidade, para além do Presidente, é o Congresso Nacional”, acrescentou Bolsonaro, citado pela agência Efe.
A afirmação de Bolsonaro tem como referências implÃcitas os juÃzes LuÃs Roberto Barroso, também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e Alexandre de Moraes, membro do TSE.
O tribunal eleitoral abriu na segunda-feira uma investigação contra o chefe de Estado na sequência de constantes ataques, nunca fundamentados, de Bolsonaro ao sistema de votação eletrónica, em funcionamento desde 1996, que, na sua opinião, permitem a “fraude” eleitoral.
Em paralelo, Moraes incluiu Bolsonaro na lista de arguidos num processo em curso no Supremo Tribunal desde 2019, relativo à divulgação em redes sociais de notÃcias falsas contra as instituições democráticas.
Não obstante a pressão dos juÃzes, Bolsonaro regressou hoje à s crÃticas à s autoridades eleitorais, sugerindo que querem favorecer o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) nas eleições presidenciais previstas para 2022.
“Aqueles que não querem a recontagem podem ser tudo menos democratas. E quem não é um democrata não tem lugar no nosso Brasil”, afirmou Jair Bolsonaro.
“Não pensem que o ladrão de nove dedos e seus amigos é que vão contar os votos dentro de uma sala secreta”, acrescentou, o Presidente, citado pelo portal eletrónico UOL, numa referência ao facto de Lula da Silva ter perdido um dedo e a uma investigação nunca concluÃda a uma eventual fraude eletrónica nas eleições de 2018, negada pela Associação de Peritos Criminais da PolÃcia Federal.
“Eu tenho limites. Alguns acham que são os donos do mundo. Vão quebrar a cara. Não continuem nos provocando, não queiram nos magoar”, ameaçou Bolsonaro.
De acordo com as últimas sondagens, Lula é o favorito à vitória nas presidenciais do próximo ano, à frente de Bolsonaro, cuja popularidade tem caÃdo nos últimos meses por efeito das crises económica e sanitária.
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