Bolsa de Valores Cabo Verde quer 20% de investidores estrangeiros até 2025

Praia, 23 fev 2022 (Lusa) — A Bolsa de Valores de Cabo Verde (BVC) tem atualmente 4% de investidores estrangeiros e quer chegar aos 20% em 2025, traçou hoje o presidente da instituição, após assinar um memorando com a congénere do Luxemburgo.

“Neste momento, temos 4% de investidores que vieram de fora, ou seja, dos nossos imigrantes, e, no âmbito do nosso plano estratégico o nosso objetivo é até 2025 ter, pelo menos, 20% de investidores estrangeiros”, traçou Miguel Monteiro.

O presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde (BVC) falava aos jornalistas, na cidade da Praia, após assinar um memorando de entendimento com a Bolsa de Valores do Luxemburgo, que esteve representada por via videochamada pela sua diretora, Julie Beker.

Miguel Monteiro disse que a parceria é um dos caminhos para a bolsa cabo-verdiana atingir esse objetivo e consolidar a sua internacionalização, passando também pela integração nos mercados de capitais na África Ocidental, através da WACMIC [West African Capital Markets Integrations Couincil], que congrega quatro bolsas de valores da região africana.

“É este o caminho, nós temos de ter mais parcerias, esta é apenas uma, vamos continuar a procurar este tipo de parcerias porque Cabo Verde tem, certamente, muito a ganhar”, reforçou Monteiro, esperando ter em Cabo Verde investidores do Luxemburgo ou da Nigéria e o inverso.

O memorando, prosseguiu, veio “no momento certo” e vai permitir ainda à bolsa cabo-verdiana ter acesso à experiência e apoio para viabilizar e operacionalizar a plataforma Blu-X, lançada em novembro e que vai listar os títulos emitidos no arquipélago e na região da África Ocidental para mobilizar capital para financiamento de projetos sustentáveis.

“Nós estamos a crer estar aliados aos melhores, o Luxemburgo é uma praça financeira que é um exemplo, foi das primeiras nesta questão dos instrumentos sustentáveis, obrigações azuis, verdes e sociais, e quando estamos aliados aos melhores teremos mais a ganhar”, enfatizou.

Com a assinatura do memorando de entendimento, Miguel Monteiro espera ter “maior dinâmica” no mercado de capitais em Cabo Verde, bem como levar investidores internacionais para o arquipélago e que a economia saia a ganhar.

“É com este tipo de parcerias, com este tipo de associações é que nós estaremos em condições de atingir esse objetivo de servir a economia real e conseguir trazer mais desenvolvimento para Cabo Verde”, prosseguiu o líder institucional, sublinhado que o Luxemburgo tem sido um parceiro estratégico de Cabo Verde há muito tempo, não só no mercado de capitais, mas a nível geral.

A nível do mercado de capitais, avançou que as parceiras iniciaram há cerca de 15 anos e o mercado cabo-verdiano já beneficiou de vários apoios e assistências técnicas, centenas de formações, entre outras iniciativas.

A Bolsa do Luxemburgo tem uma secção onde são transacionados os instrumentos sustentáveis, a Luxembourg Green Exchage (LGX), fundada por Julie Beker, que na sua intervenção, via videoconferência, enalteceu a importância da cooperação global no mercado de capitais.

A cerimónia contou ainda com intervenção, também por videoconferência, da secretária de Estado do Fomento Empresarial de Cabo Verde, Adalgisa Barbosa Vaz, que sublinhou o início da parceria na era das finanças sustentáveis, esperando o desenvolvimento deste setor no país.

Criada em 1998, a BVC conta atualmente com quatro empresas cotadas, nomeadamente o Banco Comercial do Atlântico (BCA, detido pelo grupo Caixa Geral de Depósitos), a Caixa Económica, a Enacol e a Sociedade Cabo-verdiana de Tabacos.

RIPE // PJA

Lusa/Fim