
Braga, 01 mar 2021 (Lusa) — A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, manifestou-se hoje contra “uma espécie de redução generalizada da TSU”, sublinhando que os descontos devem ser apenas para as empresas que precisam.
Em Braga, à margem de um encontro com trabalhadores da Bosch Car Multimédia, Catarina Martins considerou errado que, em tempo de crise, se desproteja a Segurança Social, “premiando todas as empresas, quer precisem quer não precisem”.
“Os descontos devem ser para quem precisa e não generalizados”, defendeu.
O ministro de Estado e da Economia, Siza Vieira, em entrevista ao Diário de NotÃcias e à TSF divulgada no sábado à noite, revelou que a compensação prometida à s empresas pelo aumento de 30 euros do salário mÃnimo nacional para 665 euros será lançada em março, referindo que esta medida envolve os ministérios das Finanças, do Trabalho e da Economia.
“O modelo que estamos a trabalhar – vai ser conhecido nas próximas semanas – é sobre o número de trabalhadores que estavam com o salário mÃnimo no ano passado, número de trabalhadores que estão agora em salário mÃnimo e, em função disso, pagamos X por posto de trabalho, que corresponderá mais ou menos a 80% do valor do acréscimo da TSU [Taxa Social Única]. E pagamos de uma única vez, que é também um benefÃcio, um apoio significativo à tesouraria”, considerou.
Hoje, Catarina Martins disse que ainda não percebeu “exatamente” em que se traduzirá esta medida, mas admitiu tratar-se de “uma espécie de redução generalizada” da TSU (Taxa Social Única) para as empresas.
“Preocupa-me muito a ideia de à crise se responder dando à s empresas descontos generalizados na Segurança Social”, referiu, questionando se, por exemplo, a Jerónimo Martins e a Sonae precisarão de descontos na TSU.
Para a lÃder do Bloco, “é muito mais útil utilizar a disponibilidade que o pais tem pagando salários nas empresas que neste momento estão sem atividade ou com a atividade muito condicionada do que desprotegendo a Segurança Social e premiando todas as empresas, quer precisem quer não precisem”.
Por isso, manifestou “muita preocupação com o anúncio do ministro da Economia”, ressalvando que é necessário aguardar pela clarificação da medida.
VCP // JPS
Lusa/Fim



