
Lisboa, 26 out 2020 (Lusa) – O Bloco de Esquerda (BE) saudou no domingo o “resultado extraordinário” do partido nas eleições regionais nos Açores, ganhas pelo PS, e disse estar disposto para acordos pontuais e ajudar a “construir pontes” para uma maioria no parlamento.
Em declarações aos jornalistas, na sede nacional do BE, em Lisboa, Pedro Filipe Soares, lÃder parlamentar e membro da direção do partido, afirmou que os bloquistas não vão apresentar uma moção de rejeição de um programa do Governo do PS, que perdeu a maioria absoluta no domingo, nem votarão ao lado da direita para chumbar uma moção desse tipo. Â
“Sabemos que aos nossos votos têm de ser somados mais votos para garantir que esse caminho é feito, mas não nos compete a nós a construção desse caminho, compete ao PS como partido mais votado construir as pontes para esse caminho”, afirmou, numa referência implÃcita a acordos pontuais com os socialistas, “medida a medida, proposta a proposta, orçamento a orçamento”.
O dirigente bloquista defendeu que é preciso o PS “tirar as consequências devidas” dos resultados, ou seja, do “descontentamento”, que “decorreu das condições económicas e sociais dos açorianos e açorianas”.
“Aprendendo com isso, o BE, medida a medida, proposta a proposta, orçamento a orçamento, iremos analisar”, afirmou, sublinhando que “tem de ser sempre com uma geometria parlamentar que alcance uma maioria”.
“Não está só nas nossas mãos”, concluiu.
O lÃder parlamentar do BE recusou uma “leitura nacional” direta das regionais, mas fez um alerta que é necessária “uma mudança de polÃtica”, porque isso foi “pedido nas urnas”.
“Estas eleições são açorianas, refletem a escolha dos açorianos. Sempre que há descontentamento com pobreza, com a exclusão social, quem está no poder perde com esse descontentamento porque não está a responder à s pessoas e muitas vezes perde para o aumento da extrema-direita”, disse ainda.
Nas eleições regionais de domingo, o BE manteve os dois deputados que tinha e obteve o seu “melhor resultado de sempre”, em número de votos e em percentagem, nas palavras de Pedro Filipe Soares.
De acordo com os resultados provisórios divulgados pela Direção Regional de Organização e Administração Pública (DROAP), o PS ganhou as legislativas regionais, mas perdeu a maioria absoluta no parlamento da região, ao alcançar 39,13% (40.701 votos) e 25 deputados.
O PSD, com 33,74% (35.091 votos), garantiu 21 mandatos, seguido pelo CDS-PP com 5,51% (5.734 votos), que elegeu três deputados, além de um parlamentar em coligação com PPM (com 115) votos.
O Chega, que concorreu pela primeira vez às regionais dos Açores, teve 5,06% (5.260 votos), elegeu dois deputados, tal como o BE, que alcançou 3,81% (3.962 votos).
O PPM obteve 2,34% (2.431 votos) e elegeu um deputado, além de um outro eleito em coligação com o CDS-PP.
A Iniciativa Liberal, que também concorreu pela primeira vez à Assembleia Legislativa dos Açores, conseguiu 1,93% (2.012 votos) e elegeu um deputado, assim como o PAN que teve percentagem idêntica e apenas menos oito votos.
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NS (ILYD/VAM) // MP
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