
Bruxelas, 20 out 2020 (Lusa) – A lÃder da oposição bielorrussa no exÃlio, Svetlana Tikhanovskaya, declarou hoje que “quem recebe 80% do apoio” não precisa de “usar armas letais e força bruta”, referindo-se ao Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko.
“Alguém que recebe 80% do apoio não precisa usar armas letais e força bruta para estar nos corações e mentes das pessoas”, disse Svetlana Tikhanovskaya, num evento realizado no campus Natolin do Colégio da Europa, que tem a sua sede em Bruges (Bélgica), e transmitido online no portal da instituição.
A polÃtica bielorrussa insistiu que “alguém que tivesse recebido 80% dos votos seria calorosamente recebido pela maioria da população e celebraria publicamente a sua vitória”.
A lÃder da oposição no exÃlio referiu que a “Bielorrússia democrática” gostaria de “manter relações amigáveis com todos os vizinhos e parceiros internacionais” e que a cooperação com a União Europeia (UE) se basearia nos “valores partilhados do estado de direito e da democracia e respeito pela dignidade humana e igualdade”.
“A Bielorrússia precisa diversificar a sua polÃtica externa para aumentar a sua autonomia estratégica e independência”, disse a lÃder da oposição, referindo que “as polÃticas de hoje não respaldam a melhoria do paÃs”, mas sim “protegem os interesses de uma pessoa para preservar o poder por todos os meios”.
Svetlana Tikhanovskaya convidou os alunos do campus Natolin, “que prepara futuros lÃderes europeus”, a lançarem iniciativas para trabalharem por uma Bielorrússia democrática.
“Vocês podem tornar-se um caminho para a história”, afirmou.
A oposição bielorrussa, representada pelo “conselho de coordenação” e incluindo Tikhanovskaya, é um dos candidatos favoritos ao Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento do Parlamento Europeu 2020, que será decidido na próxima quinta-feira.
A lÃder da oposição, que é considerada a legÃtima vencedora das eleições, deu na semana passada um ultimato ao Presidente Lukashenko até o próximo dia 25 de outubro para deixar o poder, libertar todos os presos polÃticos e acabar com a repressão policial.
Os protestos antigovernamentais na Bielorrússia acontecem desde 09 de agosto, data da eleição presidencial que a oposição denunciou como fraudulenta e na qual o Presidente Alexander Lukashenko foi reeleito, de acordo com dados oficiais com 80,1% dos votos.
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