
Lisboa, 28 mar 2022 (Lusa) — O inÃcio da instrução do processo BES/GES, marcado para terça-feira, foi adiado pela segunda vez devido ao prolongamento da baixa médica do juiz Ivo Rosa, confirmou hoje à Lusa fonte do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC).
Para esta terça-feira estava previsto o interrogatório dos arguidos Paulo Ferreira e Nuno Escudeiro. Embora não tenha sido dado novo prazo para o regresso do juiz, a instrução do processo tem agora como próxima data agendada o dia 26 de abril, às 14:00, para o qual tinha sido fixada a inquirição de quatro testemunhas arroladas pelo arguido João Pereira, entre as quais o ex-banqueiro José Maria Ricciardi.
Depois de um primeiro adiamento no dia 21 de fevereiro, devido a problemas de saúde do juiz de instrução, a primeira sessão passou para 29 de março. Ivo Rosa efetuou, entretanto, uma cirurgia ao coração, tendo essa situação levado agora o tribunal a proferir um despacho a dar “sem efeito” as diligências que se realizariam terça, quarta e sexta-feira.
O processo conta com 30 arguidos (23 pessoas e sete empresas), num total de 361 crimes.
O mais mediático arguido deste caso é o antigo presidente do Grupo EspÃrito Santo (GES) Ricardo Salgado, acusado de 65 crimes, entre os quais associação criminosa (um), burla qualificada (29), corrupção ativa (12), branqueamento de capitais (sete), falsificação de documento (nove), infidelidade (cinco) e manipulação de mercado (dois).
Considerado um dos maiores processos da história da justiça portuguesa, este caso agrega no processo principal 242 inquéritos, que foram sendo apensados, e queixas de mais de 300 pessoas, singulares e coletivas, residentes em Portugal e no estrangeiro. Segundo o Ministério Público (MP), cuja acusação contabilizou cerca de quatro mil páginas, a derrocada do Grupo EspÃrito Santo (GES), em 2014, terá causado prejuÃzos superiores a 11,8 mil milhões de euros.
São ainda arguidos Morais Pires, José Manuel EspÃrito Santo, Isabel Almeida, Manuel F. EspÃrito Santo, Francisco Machado da Cruz, António Soares, Alexandre Cadosch, Michel Creton, Cláudia Boal Faria, Pedro Cohen Serra, Paulo Carrageta Ferreira, Pedro de Almeida e Costa, João Alexandre Silva, Nuno Escudeiro, Pedro Góis Pinto, João Martins Pereira, Paulo Nacif Jorge, Maria Beatriz Pascoa, Frederico Ferreira, LuÃs Miguel Neves, Rui Santos e Alexandre Monteiro.
As sete empresas acusadas são a EspÃrito Santo Internacional, Rioforte Investments, Eurofin Private Investment, EspÃrito Santo irmãos — Sociedade Gestora de Participações Sociais, ES Tourism Europe, EspÃrito Santo Resources Limited e ES Resources (Portugal), pelos crimes de burla qualificada, corrupção passiva, falsificação de documentos e branqueamento de capitais.
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