
Lisboa, 05 set 2023 (Lusa) — O BE quer esclarecimentos urgentes sobre a demissão de seis obstetras do Hospital de Santa Maria e, para isso, pediu hoje audições no parlamento desses médicos, do ministro da Saúde e do conselho de administração da unidade hospitalar.
Seis médicos do serviço de ObstetrÃcia e Ginecologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, apresentaram a demissão, incluindo a ex-diretora de obstetrÃcia, LuÃsa Pinto, que fala em condições de insegurança e acusa a administração de falta de respeito.
Segundo o requerimento do BE no qual são pedidas estas audições urgentes na comissão parlamentar de saúde, a “situação no serviço de obstetrÃcia do Hospital de Santa Maria (CHULN) estava a degradar-se há várias semanas”.
“Para isso contribuiu o anúncio do encerramento da maternidade que não foi nem comunicado nem combinado com as equipas, a demissão de profissionais por parte do Conselho de Administração por divergência de opinião, as falsas acusações de baixa de ‘produtividade’ à s equipas que tantas vezes faziam 500 ou 600 horas extraordinárias para garantir o pleno funcionamento dos serviços, a deslocação forçada destes profissionais para outro hospital ou a deterioração das condições assistenciais”, referem os bloquistas.
O BE recordou ainda que, perante esta situação, o BE “requereu a audição de entidades, interpelou o Ministério, apelou a que o PS e o Governo tivessem bom senso e abandonassem o caminho de destruição em que estavam apostados”.
“Tudo em vão. Pelos vistos as exonerações arbitrárias, a destruição da equipa, o encerramento da maternidade, a deterioração dos cuidados assistenciais, o achincalhamento dos profissionais de saúde, tudo isso não era um acaso. Era propositado. Um plano a executar, secundado pelo Governo, ao mesmo tempo que se abria o SNS à s maternidades privadas e se transferiam para elas mais e mais partos”, acusou o partido no requerimento assinado pela deputada Catarina Martins.
Para o BE, “com a saÃda destes profissionais a área da obstetrÃcia, já crÃtica, fica ainda mais pobre” e “as escalas que já se faziam a custo de centenas e centenas de horas extraordinárias ficarão ainda mais difÃceis”.
A notÃcia foi avançada pelo semanário Expresso e confirmada à Lusa por LuÃsa Pinto, que apresentou a sua demissão hoje de manhã, na sequência de um acumular de situações que, no seu entender, colocam em causa as condições de segurança do serviço de ObstetrÃcia e Ginecologia.
“Aquilo que me prendia, deixou de existir. O nosso hospital parece não nos querer aqui”, afirmou LuÃsa Pinta, acrescentando que, apesar de se preocupar com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), “se não nos querem, é melhor sairmos com dignidade”.
Segundo explicou à Lusa, a sua decisão e de outros cinco colegas está relacionada com o plano da Direção Executiva do SNS para a resposta de ObstetrÃcia e Ginecologia, que previa que, enquanto o bloco de partos do hospital de Santa Maria estivesse fechado para obras — entre os meses de agosto e março do próximo ano – os serviços ficassem concentrados no Hospital S. Francisco Xavier.
JF (MCA/HN)
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