
Lisboa, 11 nov 2023 (Lusa) — A coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, defendeu hoje que a esquerda não é representada por “centros das negociatas”, mas sim por “pessoas que trabalham”, considerando que é prioritário que “cada partido diga ao que vem”.
“O que é importante para o BE neste momento é afirmar que a esquerda não são os centros das negociatas, dos favores, dos privilégios, das grandes empresas que beneficiam com cada decisão e cada grande projeto económico deste paÃs. A esquerda são as pessoas que trabalham, e são essas pessoas que merecem ter um salário que lhes permita ter uma vida digna”, considerou Mariana Mortágua.
A lÃder bloquista falava aos jornalistas em Lisboa à margem do protesto organizado pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses — Intersindical Nacional (CGTP-IN), sob o lema “Pelo Aumento dos Salários/Contra o Aumento do Custo de Vida”.
“O que é importante neste momento é que cada partido diga ao que vem, cada força polÃtica se comprometa com os seus princÃpios, os seus valores e as suas propostas”, salientou.
Para Mariana Mortágua, das próximas eleições legislativas antecipadas, que estão marcadas para 10 de março na sequência da demissão apresentada pelo primeiro-ministro, António Costa, “é preciso sair uma esquerda que se bata pelo paÃs, que saiba que o paÃs só anda para a frente se respeitar quem trabalha e quem constrói este paÃs”.
“E respeitar quem trabalha quer dizer aumentar salários, dar condições à s pessoas que trabalham, tanto no setor público como no privado”, afirmou.
Insistindo na importância de que cada partido apresente as suas prioridades, Mariana Mortágua deixou as dos bloquistas: “salário que pague uma vida digna, um Serviço Nacional de Saúde para todos, educação que chegue para todas as crianças e para todos os jovens, habitação digna e acessÃvel para toda a gente.”
“E claro, uma gestão séria daquilo que é público, que é de todos e que não pode ser gerido como uma negociata ou mais um privilégio de grandes empresas”, acrescentou.
Interrogada sobre a declaração ao paÃs que o primeiro-ministro marcou para as 20:00 de hoje, na residência oficial em São Bento, Lisboa, Mariana Mortágua rejeitou “prognósticos”, dizendo que vai aguardar para ouvir o chefe do executivo.
António Costa é alvo de uma investigação do Ministério Público (MP) no Supremo Tribunal de Justiça, após suspeitos num processo relacionado com negócios sobre o lÃtio, o hidrogénio verde e um centro de dados em Sines terem invocado o seu nome como tendo intervindo para desbloquear procedimentos.
No dia da demissão, o primeiro-ministro recusou a prática “de qualquer ato ilÃcito ou censurável”.
De acordo com o MP, no processo dos negócios do lÃtio em Boticas e Montalegre, do hidrogénio verde e do centro de dados em Sines podem estar em causa os crimes de prevaricação, corrupção ativa e passiva de titular de cargo polÃtico e tráfico de influência.
A operação do Ministério Público levou à detenção de cinco pessoas para interrogatório: o chefe de gabinete do primeiro-ministro, VÃtor Escária, o presidente da Câmara de Sines, Nuno Mascarenhas, dois administradores da sociedade Start Campus, Afonso Salema e Rui Oliveira Neves, e o advogado Diogo Lacerda Machado, amigo de António Costa.
No total, há nove arguidos no processo, entre eles o ministro das Infraestruturas, João Galamba, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Nuno Lacasta, o advogado e antigo porta-voz do PS João Tiago Silveira e a empresa Start Campus.
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