
Santo Tirso, Porto, 04 jun 2022 (Lusa) — A coordenadora do Bloco de Esquerda criticou hoje António Costa por dizer que era boa ideia as empresas aumentarem 20% os salários, quando no Orçamento do Estado mantém os salários congelados e recusa aumentos intermédios no salário mÃnimo.
“António Costa, hoje, afirmou que os salários médios em Portugal deviam aumentar 20% durante esta legislatura. E nós não podÃamos estar mais de acordo. O que estranhamos é que há uma semana tenha chumbado no orçamento do Estado qualquer proposta que permitisse qualquer atualização dos salários”, declarou a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, durante o comÃcio que o seu partido realizou esta tarde na Biblioteca Municipal de Santo Tirso.
Catarina Martins defende que a polÃtica seja “a sério”.
“Sim, Portugal tem de aumentar os salários, mas Portugal não aumentará os salários pelo primeiro-ministro que acha boa ideia que as empresas aumentem os salários, enquanto no Orçamento do Estado mantém os salários absolutamente congelados e recusa mesmo aumentos intermédios para o salário mÃnimo nacional. O que é preciso aqui hoje e todos os dias é que a polÃtica seja a sério”.
Para a coordenadora do BE, uma polÃtica de esquerda não é feita por umas afirmações de esquerda, é sim feita “em cada momento na decisão concreta da vida, argumenta, referindo que um Orçamento do Estado que decide que os salários vão perder poder de compra “não é de esquerda”.
“O primeiro-ministro bem pode vir dizer à s empresas para aumentar os salários. O que conta é o que decide quando tem o poder na mão e o que conta será toda a luta que faremos para que o próximo Orçamento de Estado aumente mesmo os salários”, prometeu a lÃder bloquista.
Sobre a notÃcia de a Alemanha ir aumentar 22% o salário mÃnimo, a lÃder do BE disse não ter nada contra, o que lamenta é que essa polÃtica não seja seguida por António Costa.
“A Alemanha decidiu aumentar o salário mÃnimo nacional em 22%. Dizia-nos António Costa, no debate do Orçamento do Estado que atualizar salários não podia ser, porque ia aumentar a inflação. Parece que essa teoria económica que é válida para os salários sempre baixos portuguese, não é válida para os salários mais confortáveis na Alemanha. Não temos nada contra a subida de salário mÃnimo na Alemanha. Muito pelo contrário. É certo que o façam. O que está errado é que para Portugal ser bom aluno da Europa, o que vale é sempre a economia dos baixos salários”.
O que é errado é uma polÃtica do “faz de conta” em que se chumba no Orçamento do Estado as possibilidades de atualização dos salários, para vir uma semana depois dizer que “até era boa ideia se as empresas pensassem nisso”.
CCM // PJA
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