
Lisboa, 23 mai 2021 (Lusa) — O dirigente socialista PorfÃrio Silva saudou hoje o que considerou ser a “retoma da abertura para negociar” do Bloco de Esquerda, desde que “sem anátemas e sem querer ter o exclusivo da verdade”.
“Se agora o Bloco volta a estar realmente disponÃvel para negociar, sem anátemas e sem querer ter o exclusivo da verdade, o que o PS pode dizer é que saúda a retoma dessa abertura para negociar”, declarou PorfÃrio Silva à agência Lusa numa reação ao discurso da coordenadora do partido, Catarina Martins, no encerramento da XII convenção bloquista.
PorfÃrio Silva defendeu que há “uma retoma que é necessária”, assumindo que os partidos da esquerda parlamentar “são diferentes entre si” e que “isso é normal”.
“O Bloco não coloca em cima da mesa nada que seja desinteressante como desafio para o paÃs. Estamos a falar de matérias decisivas e claro que merecem ser trabalhadas, merecem a nossa convergência e é nessa perspetiva que nos colocamos”, indicou o deputado socialista e membro do Secretariado Nacional do PS.
Na sua intervenção, Catarina Martins apontou o emprego como “a prioridade das prioridades”, quer na proteção do que existe quer na criação de novos empregos com “leis laborais fortes, para que o investimento se traduza em mais salário”.
Catarina Martins salientou que o partido só vê “motivos para insistir” nas quatro áreas para as quais propôs ao Governo compromissos na discussão do último Orçamento do Estado e que “o Governo recusou”: carreiras no Serviço Nacional de Saúde, retirada das “leis vingativas da ‘troika’ contra o trabalho”, proteção social e impedir a “captura dos dinheiros públicos pela irresponsabilidade financeira” da banca.
PorfÃrio Silva disse que o PS saúda vivamente “que o Bloco de Esquerda mostre a sua disponibilidade para conversar e para tomar decisões sobretudo aquilo que é importante para o paÃs”, notando que foi o BE que “divergiu” ao decidir votar contra o Orçamento do Estado para 2021.
“O que aconteceu é que no momento mais difÃcil das vidas dos portugueses, no momento mais difÃcil da pandemia, o Bloco decidiu divergir deste caminho de convergência que tinha vindo a ser construÃdo e decidiu votar contra o Orçamento do Estado ao lado da direita”, considerou.
O deputado manifestou-se convicto de que, “como foi possÃvel chegar a resultados com o PCP, o PEV e do PAN, também será possÃvel chegar a resultados concretos com o Bloco”.
“Isso é que importa ao paÃs, é que se consiga construir as respostas que não são fáceis”, referiu, defendendo que o Bloco se comprometa a dar mais valor à s convergências do que à s divergências.
PorfÃrio Silva disse ainda que o “grande reforço” no Serviço Nacional de Saúde “é para continuar e é para consolidar” e que no que diz respeito “à saúde do sistema bancário, o paÃs precisa de um sistema forte, que responda à s necessidades do paÃs e onde se cumpram as regras”.
O PS é um dos partidos que costumam fazer-se representar, a convite, no encerramento das convenções bloquistas mas, face às regras sanitárias impostas pela pandemia, a reunião magna dos bloquistas decorreu sem convidados no local.
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