
Lisboa, 05 out 2022 (Lusa) — O Bloco de Esquerda considerou hoje “um insulto” ao paÃs a TAP ter encomendado carros de luxos para administradores e diretores e defendeu que esta situação “deveria merecer um enorme reparo” por parte do Governo.
“É um insulto o que a administração da TAP fez ao paÃs e creio que da parte do Governo, que é quem representa o Estado junto da TAP, porque é o representante do acionista deveria merecer um enorme reparo”, defendeu o lÃder parlamentar do BE.
Pedro Filipe Soares, que falava aos jornalistas no final da cerimónia comemorativa dos 112 anos da implantação da República, em Lisboa, reagiu assim à s notÃcias que dão conta de que a TAP encomendou dezenas de carros de luxo para administradores executivos e diretores de topo, uma investigação da CNN Portugal, segundo a qual estas viaturas vão substituir a atual frota automóvel da companhia aérea.
“Quando tivemos milhares de milhões de euros de dinheiros públicos que foram usados para salvar a TAP por ser estratégica para o paÃs, e nós consideramos que é estratégica para o paÃs, não faz sentido que o dinheiro público seja usado com decisões que são incompreensÃveis como essa”, defendeu o deputado.
O lÃder parlamentar do BE apontou que “também é um insulto ao paÃs a ideia do Governo de injetar milhares de milhões de euros na TAP no ano passado, há dois anos, e agora dizer que ela está disponÃvel para ser privatizada”.
E defendeu que “isso não é compreensÃvel porque se ela era estratégica no passado, é estratégica no presente e será estratégica no futuro, tem é que ser salvaguardado o interesse público”, considerando que “parece mais um exemplo” de que isso não está a acontecer.
A TAP defende que a renovação da frota automóvel para a administração e gestores permite uma poupança de 630 mil euros anuais, justificando que a decisão foi assente neste racional ao mesmo tempo que cumpre os contratos.
“A Comissão Executiva quer esclarecer que a TAP dispõe de uma frota automóvel corporativa para a administração e diretores, em regime de ‘renting’ operacional. Com a opção que fizemos, estamos a poupar anualmente até 630 mil euros, se tivéssemos mantido os carros que temos hoje”, refere a empresa num comunicado interno, ao qual a Lusa teve acesso.
A TAP justifica que em causa estão 50 viaturas, para o qual foi feito um concurso ao mercado, tendo sido convidadas a participar seis entidades no mercado português.
“A proposta escolhida foi a que apresentou o preço mais baixo, com uma renda mensal de 500 euros. Como referência, as outras propostas apresentadas à TAP com valor mais competitivo contemplavam rendas mensais de 750 euros”, explica a Comissão Executiva da TAP, no referido comunicado.
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