
Ourique, Beja, 03 fev 2026 (Lusa) — A chuva registada nos últimos dias levou a um aumento substancial da água armazenada nas barragens do Monte da Rocha e de Santa Clara, ambas no distrito de Beja, que há um ano apresentavam nÃveis bastante reduzidos.
No caso do Monte da Rocha, no concelho de Ourique, de acordo com os dados da Associação de Regantes e Beneficiários de Campilhas e Alto Sado (ARBCAS), a barragem registava hoje um volume de armazenamento de 62,8%, equivalente a cerca de 64,3 milhões de metros cúbicos (m3) de água.
A associação, com sede em Alvalade, no concelho de Santiago do Cacém, gere também, entre outras, as barragens de Campilhas e de Fonte Serne, ambas neste municÃpio do distrito de Setúbal, que registavam hoje nÃveis de armazenamento de 95,3% e 94,2%, respetivamente.
“No fundo, estamos a assistir à alteração de um ciclo de seca para um ciclo húmido”, indicou hoje à agência Lusa o diretor-adjunto da ARBCAS, IlÃdio Martins.
A albufeira do Monte da Rocha serve o abastecimento público nos concelhos de Ourique, Almodôvar e Castro Verde, assim como parte dos de Mértola e Odemira, todos no distrito de Beja.
A infraestrutura assegura ainda a rega de cerca de 1.800 hectares (ha) agrÃcolas nos concelhos de Ourique e Santiago do Cacém, distrito de Setúbal, no âmbito do aproveitamento hidroagrÃcola do Alto Sado.
De acordo com o diretor-adjunto da ARBCAS, os volumes de água armazenados garantem a atividade agrÃcola na região por “alguns anos”, até porque este recurso é “cada vez gerido de uma forma mais criteriosa”.
“Este perÃodo de seca obrigou-nos a mudar o paradigma e, cada vez mais, a utilização é mais eficiente. Penso que a partir de agora vamos ter água por muitos anos”, frisou IlÃdio Martins.
No concelho de Odemira, distrito de Beja, a barragem de Santa Clara registava hoje um volume de armazenamento de 78%, ou seja, quase 380 milhões de m3.
Além do abastecimento público, esta albufeira serve o Aproveitamento HidroagrÃcola do Mira, que abrange uma área de 12.000 ha nos municÃpios de Odemira e de Aljezur, este no distrito de Faro.
“Evidentemente que este volume armazenado deixa-nos satisfeitos, na medida em que nos permite encarar o futuro com mais tranquilidade”, disse à Lusa o diretor executivo da Associação de Beneficiários do Mira (ABM), Carlos Chibeles.
Esta realidade, continuou, permite que o abastecimento de água a partir de Santa Clara esteja “assegurado” nos “próximos dois ou três anos”, além de poder vir a possibilitar o levantamento de algumas restrições no seu uso para a agricultura.
“A maior disponibilidade de hÃdrica levará, certamente, à revisão dessas restrições em face das disponibilidades que temos atualmente”, afirmou.
A chuva dos últimos dias pode estar a encher as barragens, mas também tem causado alguns prejuÃzos aos agricultores, admitiram os dirigentes das duas associações ouvidos pela Lusa.
“Aqui temos muita horticultura de área livre e, de facto, com esta precipitação e com este nÃvel de encharcamento dos terrenos, é praticamente impossÃvel fazer as operações culturais que são importantes fazer nesta altura”, indicou Carlos Chibeles, da ABM.
Por sua vez, IlÃdio Martins, da ARBCAS, afiançou que “os campos mais baixos estão todos alagados” e que “algumas searas de inverno não vão aguentar este número de dias de alagamento.
“É bom termos as albufeiras cheias, mas gostarÃamos que fosse de uma forma diferente”, disse.
Segundo o responsável, “são muitos dias de chuva e era bom que houvesse agora uma abertura de alguns dias, para que as pessoas pudessem trabalhar e recuperar aquilo que ainda não está estragado”.
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