
Daca, 18 nov 2025 (Lusa) — O gabinete do procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI) no Bangladesh vai pedir a assistência da Interpol para acelerar a extradição da ex-primeira-ministra Sheikh Hasina, condenada à morte por crimes contra a humanidade.
A Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) poderá emitir alertas, incluindo um “alerta vermelho”, para localizar Hasina, pedir a detenção preventiva e apoiar o processo de extradição iniciado pelo Bangladesh, disseram fontes judiciais.
O procurador Gazi Monawar Hossain Tamim indicou que está “a trabalhar num pedido formal à Interpol”, embora tenha admitido que a emissão dos alertas “ainda levará alguns dias”.
De acordo com o gabinete do procurador, a equipa responsável está a ultimar uma atualização do pedido previamente submetido, a ser encaminhada através do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Hasina, que aparentemente vive exilada na Índia desde os protestos que levaram à demissão, em agosto de 2014, foi condenada por um tribunal criminal indiano pela alegada responsabilidade na repressão de levantamentos estudantis durante o seu mandato.
Na segunda-feira, o tribunal sentenciou a política à pena de morte, após considerar a ex-chefe do Governo culpada de vários crimes, incluindo homicídio, tentativa de assassínio e tortura.
Na mesma decisão, o tribunal condenou também à morte o ex-ministro do Interior Asaduzzaman Khan Kamal e sentenciou a cinco anos de prisão o ex-inspetor-geral da polícia Chowdhury Abdullah Al-Mamun, que depôs como testemunha de acusação.
Organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos, como a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch, criticaram a decisão do tribunal, apontando falhas no processo, a rapidez do julgamento à revelia e dúvidas sobre a robustez das provas e o acesso da defesa a um advogado.
O futuro de Hasina vai depender agora da decisão da Índia, que mantém um tratado de extradição com o Bangladesh desde 2013, mas cuja aplicação não é automática.
Especialistas jurídicos consultados pela agência de notícias EFE admitiram que Nova Deli pode recusar a extradição se entender que as acusações têm motivações políticas.
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