
Daca, 05 abr 2026 (Lusa) — O Bangladesh lançou um programa de vacinação de emergência para tentar conter um surto de sarampo suspeito de ter causado quase 100 mortes em três semanas, anunciaram hoje as autoridades de saúde do país.
“Comparado com anos anteriores, o número de crianças afetadas é maior, assim como a taxa de mortalidade”, disse o chefe de prevenção de epidemias do Ministério da Saúde do Bangladesh, Hamilur Rashid.
Nas últimas três semanas, o departamento que dirige registou um total de 6.476 pacientes no país com sintomas de sarampo, 98 dos quais morreram.
Dos 826 casos confirmados da doença, 16 foram fatais.
“Este é o maior número de mortes registado [no Bangladesh] nas últimas duas décadas”, disse Mahmudur Rahman, chefe do comité de monitorização do sarampo e rubéola no Bangladesh.
O Ministério da Saúde identificou 30 das áreas mais afetadas do país e ordenou vacinações de emergência nesses locais.
Hamilur Rashid disse que o surto agora registado deve-se “a várias causas”, incluindo escassez de vacinas, desnutrição, redução do aleitamento materno entre mães jovens e desinformação sobre os riscos da vacinação.
No início de 2025, a decisão do Presidente norte-americano, Donald Trump, de cortar grande parte da ajuda ao desenvolvimento afetou programas de vacinação em vários países, incluindo o Bangladesh.
Além desse corte de verbas, o especialista em saúde Tajul Islam A Bari apontou para falhas do Governo do Bangladesh na compra de vacinas.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), através da representante no Bangladesh, Rana Flowers, expressou “profunda preocupação” com o surto de sarampo, que “coloca em risco milhares de crianças, especialmente as mais novas e vulneráveis”.
O sarampo é considerado uma das doenças mais contagiosas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que estima que cause 95.000 mortes por ano, principalmente entre crianças não vacinadas com menos de 05 anos de idade.
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