
Lisboa, 16 nov 2023 (Lusa) – Os bancos já receberam milhares de pedidos para fixação da prestação do crédito à habitação, e por um valor inferior ao atual, segundo disseram responsáveis dos principais bancos na conferência ‘Banca do Futuro’.
O BCP já recebeu cerca de 2.000 pedidos, disse o presidente do banco, Miguel Maya, acrescentando que muitas prestações já foram fixadas, enquanto o BPI já recebeu 1.500 pedidos, segundo o administrador Francisco Barbeira.
Na Caixa Geral de Depósitos entraram no inÃcio uma média de 50 pedidos por dia e mais recentemente rondam os 80 pedidos por dia, disse o presidente, Paulo Macedo.
Já Novo Banco tem recebido quase 100 pedidos por dia, disse o administrador LuÃs Ribeiro.
O Santander Totta não deu números concretos, considerando o seu presidente, Pedro Castro e Almeida, que muitas pessoas ainda têm a expectativa que as taxas baixam antes de decidirem se avançam ou não com o pedido.
Com a subida das taxas Euribor (acompanhando a subida das taxas diretoras do Banco Central Europeu) os créditos têm-se tornado mais caros, pelo que o Governo criou um mecanismo, em vigor desde 02 de dezembro, em que os clientes com crédito à habitação podem pedir ao seu banco o acesso ao regime que fixa a prestação do crédito à habitação durante dois anos e por um valor mais baixo que o atual.
É que a prestação ficará indexada a 70% da média da Euribor a seis meses do mês anterior ao pedido do cliente (o que garante que paga menos durante os dois anos do que se a Euribor fosse refletida a 100%). O valor não pago terá de ser pago posteriormente, a que se somam juros.
Ainda na conferência de hoje, organizada pelo Jornal de Negócios e pela Claranet, questionados sobre o incumprimento dos créditos, tanto o presidente da CGD como o do Santander Totta disseram que para já não há problemas importantes, mas que na evolução do malparado será importante a evolução das taxas de juro, sobretudo o desemprego.
“A variável mais importante é o emprego. Se o nÃvel de desemprego estiver em dois dÃgitos, mesmo com taxas de juro mais baixas, aà terá grande impacto” na capacidade de clientes pagarem os empréstimos, disse Castro e Almeida.
Sobre a crise polÃtica, os banqueiros voltaram a repetir o que tinham dito na semana passada, da importância da estabilidade na governação e do equilÃbrio das contas públicas.
O presidente do Santander Totta (detido pelo grupo espanhol Santander) considerou que é esse saneamento que traz “para Portugal muitas empresas” e foi crÃtico com o que se passa em Espanha, considerando que no paÃs vizinho toma posse “um governo populista, que vai aumentar os impostos sobre as grandes empresas, sobre a riqueza” e que tudo o que “seja instabilidade vai-se pagar a prazo”.
Quanto à polémica que envolveu o governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, por ter sido falado por António Costa para lhe suceder como primeiro-ministro, a maioria ds responsáveis dos bancos não quis pronunciar-se.
Por seu lado, o presidente da CGD, Paulo Macedo, voltou a considerar que Centeno é “um governador sério e competente”, como tinha dito na semana passada, e que “uma coisa não afeta outra, de acordo com o conhecimento público” que tem do tema.
Disse ainda Macedo que não é fácil substituir o governador do Banco de Portugal, ao contrário do que parece por várias declarações públicas.
“Não há cinco pessoas em Portugal que possam desempenhar aquele lugar com qualidade, à s vezes parece que até pode ser Joaquim ou o Manel”, afirmou.
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