Banco Mundial vai apoiar recuperação económica de Moçambique com 389 ME – Governo

   Maputo, 09 jun 2026 (Lusa) – O Banco Mundial vai apoiar a recuperação de Moçambique dos choques macroeconómicos, entre os quais as cheias de janeiro, com 450 milhões de dólares (389 milhões de euros) para quatro áreas estratégicas, anunciou hoje o Governo moçambicano.

“Um dos aspetos principais que o Banco Mundial visa essencialmente responder é a preocupação com os recentes choques macroeconómicos que Moçambique enfrentou, que é o choque das mudanças climáticas com as cheias que o país vivenciou no início deste ano, mas também o choque do impacto do conflito do Médio Oriente na nossa economia”, disse hoje Carla Loveira, ministra das Finanças moçambicana, em Maputo.

A dirigente falava à margem da assinatura de cinco memorandos, avaliados em 450 milhões de dólares, com uma delegação daquele grupo financeiro internacional para apoiar as “áreas estratégicas” da agricultura, educação, proteção social e o setor dos recursos minerais, hídricos e saneamento, tendo destacado que se trata de um financiamento adicional através das janelas já existentes entre o Fundo Monetário, o Banco Mundial e Moçambique.

Segundo Loveira, para a área da proteção social foi assinado um memorando orçado em 155 milhões de dólares (133,9 milhões de euros), em adição ao programa de parceria já existente no país.

“Face à crise, ao impacto do conflito do Médio Oriente, uma das respostas que o Governo deve dar é como melhorar a produção, a produtividade, e este parceiro respondeu de conformidade, dando um reforço para a área da agricultura e agronegócio na ordem de 50 milhões de dólares [43,2 milhões de euros]”, explicou.

A governante avançou ainda que foi assinada uma subvenção de 300 milhões de dólares (259,5 milhões de euros), dividido por igual para as áreas da educação e da proteção social, além de um memorando avaliado em 100 milhões de dólares (86,4 milhões de euros) para apoiar o setor dos recursos minerais.

Para o desembolso do financiamento, Carla Loveira assinalou que foi desenhado um mecanismo célere fora do “circuito tradicional”, para melhorar a atividade económica nacional, “olhando para a área da agricultura e saneamento”, e as condições de vida da população através da proteção social e educação.

“Este é o grande marco que se celebra hoje com a vinda desta missão e que culminou com a celebração destes cinco memorandos, mas representando quatro áreas de atuação, pelo qual vai nortear a nossa cooperação com o Banco Mundial, no esforço conjunto de contribuir para a estabilidade macroeconómica, a bem da melhoria de vida dos moçambicanos”, destacou.

Paschal Donohoe, mananging diretor do Banco Mundial, disse na ocasião que os acordos assinados inserem-se nos esforços de busca de soluções partilhadas para o desenvolvimento de habilidades que os moçambicanos precisam.

“O acordo inclui financiamento adicional para apoiar os agricultores de Moçambique, que eu conheço como a parte crucial da vossa economia, ajudando-os a ter melhor acesso aos mercados e investindo em sua produtividade e em seu futuro”, descreveu.

O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, defendeu hoje que o investimento é a chave para ultrapassar a fragilidade e os principais problemas do país, como as alterações climáticas e o terrorismo, no norte do país.

Numa conversa com o presidente do Banco Mundial, Daniel Chapo disse que “a paz e o desenvolvimento são a chave para o investimento do setor privado”, que considerou ser crucial para financiar o desenvolvimento de Moçambique.

O Grupo Banco Mundial prevê mobilizar 2,5 mil milhões de dólares (2,1 mil milhões de euros) para Moçambique nos próximos cinco anos, ao abrigo do novo Quadro de Parceria (CPF), apostando na criação de emprego para haver crescimento económico.

“Ao concentrarmo-nos em corredores económicos e setores com elevado potencial de criação de emprego, como a energia, o agronegócio e o turismo, pretendemos mobilizar cerca de 2,5 mil milhões de dólares”, disse esta entidade financeira em janeiro.

LCE (MBA) // MLL

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