
Washington, 13 dez 2023 (Lusa) – O Banco Mundial alertou hoje que os paÃses em desenvolvimento gastaram 443,5 mil milhões de dólares no ano passado em dÃvida pública, aumentando 5% face a 2021 o que coloca muitos “no caminho para uma crise”.
“Os nÃveis recorde da dÃvida e as elevadas taxas de juro colocaram muitos paÃses no caminho para a crise”, disse o economista-chefe e vice-presidente do Banco Mundial, Indermit Gill, na apresentação de um relatório sobre a dÃvida internacional, hoje divulgado em Washington.
“A cada trimestre que as taxas de juro continuam altas, os paÃses em desenvolvimento enfrentam mais sobre-endividamento, e enfrentam também a difÃcil escolha entre servir a dÃvida pública ou investir na saúde, educação e infraestrutura”, referiu.
O responsável do Banco Mundial avisou que “a situação exige uma ação rápida e coordenada por parte dos governos devedores, dos credores privados e oficiais, e das instituições financeiras multilaterais, para além de mais transparência, melhores ferramentas para a sustentabilidade da dÃvida e acordos de reestruturação mais rápidos, porque a alternativa é mais uma década perdida”.
No relatório, o Banco Mundial salienta que o pagamento da dÃvida aumentou no ano passado 5% face a 2021 para todos os paÃses em desenvolvimento, e que os 75 paÃses elegÃveis para financiamento da Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA), que inclui todos os PaÃses Africanos de LÃngua Oficial Portuguesa com exceção de Angola, pagaram 88,9 mil milhões de dólares (82,4 mil milhões de euros).
“Durante a última década, os pagamentos de juros quadruplicaram para um máximo histórico de 23,5 mil milhões de dólares (21,7 mil milhões de euros) em 2022, com o custo geral do serviço da dÃvida para os 24 paÃses mais pobres a dever aumentar exponencialmente, cerca de 39%, em 2023 e 2024”, de acordo com o relatório.
O aumento da dÃvida pública no seguimento da pandemia de covid-19, que exacerbou um problema que já se vinha a formar, “fez subir as vulnerabilidades dos paÃses em desenvolvimento, levando a 18 incumprimentos financeiros em 10 paÃses em desenvolvimento, o maior número das últimas duas décadas”, lê-se no relatório.
Atualmente, acrescenta, cerca de 60% dos paÃses de baixo rendimento estão em elevado risco ou já em sobre-endividamento.
O relatório do Banco Mundial aponta ainda duas preocupantes mudanças estruturais relativamente à dÃvida: o valor dos empréstimos aos governos e à s empresas públicas caiu 23%, para 371 mil milhões de dólares (343 mil milhões de euros), o nÃvel mais baixo em dez anos, e os credores privados basicamente afastaram-se dos paÃses em desenvolvimento, recebendo mais 185 mil milhões de dólares (171 mil milhões de euros) em pagamentos do que aquilo que emprestaram.
“Esta foi a primeira vez desde 2015 que os credores privados receberam mais fundos do que o que colocaram nos paÃses em desenvolvimento, com as emissões de tÃtulos destes paÃses a caÃrem mais de metade de 2021 para 2022, e as emissões dos paÃses de baixo rendimento a caÃrem mais de três quartos, para apenas 3,1 mil milhões de dólares [2,8 mil milhões de euros]”, diz o Banco Mundial.
A redução, contudo, foi compensada por um aumento do financiamento concessional dos credores multilaterais aos paÃses em desenvolvimento, para 115 mil milhões de dólares, 106 mil milhões de euros, em 2022, refere o BM.
A segunda tendência preocupante é o aumento do volume da dÃvida em comparação com o crescimento económico: “os paÃses elegÃveis para a IDA passaram a última década a acumular dÃvida a um ritmo que excede o seu crescimento económico, o que é um sinal vermelho para as perspetivas de desenvolvimento nos próximos anos”, subindo para 1,1 biliões de dólares (mais de um bilião de euros) mais do dobro do nÃvel de 2012.
Desde esse ano até 2022, os paÃses mais pobres acumularam mais 134% de dÃvida pública, ultrapassando os 53% de crescimento nacional bruto, conclui o Banco Mundial no relatório.
MBA // ANP
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