
O Banco do Canadá enfrenta uma decisão difícil: a inflação está a subir, mas a economia continua fragilizada. São duas pressões que exigem respostas opostas da política monetária.
Em setembro, a inflação anual aumentou para 3,1%, impulsionada sobretudo pela subida dos preços da energia, em particular dos combustíveis. Para já, as medidas de inflação subjacente, que excluem componentes mais voláteis, continuam moderadas. Ainda assim, existe o risco de os aumentos de preços se alargarem a outros setores da economia.
Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho dá sinais de fraqueza. Os dados oficiais indicam que o Canadá perdeu 68 mil postos de trabalho em setembro. Os efeitos das tarifas comerciais mais recentes ainda não são totalmente conhecidos.
O Banco do Canadá manteve a taxa de referência nos 2,25% durante sete reuniões consecutivas. Agora, vários economistas antecipam uma subida de 0,25 pontos percentuais, embora nem todos considerem que essa seja a melhor decisão para a economia.
O aumento dos juros pode ajudar a conter a inflação, mas também encarece o crédito e pode travar ainda mais o crescimento. Por outro lado, uma descida poderia estimular a economia, mas aumentaria o risco da inflação ganhar força.
Na quarta-feira, 28 de outubro, o banco central irá anunciar a decisão sobre a taxa de juro e apresentará novas previsões económicas. Os números do crescimento também serão importantes para avaliar a evolução do país.
O desafio é encontrar um equilíbrio entre controlar os preços e evitar um maior enfraquecimento da economia canadiana. Para as famílias e as empresas, a decisão poderá ter consequências diretas no custo dos empréstimos e nas perspetivas económicas.



