
Maputo, 08 jul 2026 (Lusa) — O Banco de Moçambique considera que o risco soberano do paÃs permaneceu em nÃvel “severo” em 2025, devido à pressão exercida pelo aumento continuado da dÃvida pública interna.
Na avaliação que consta do Relatório de Estabilidade Financeira de 2025, do banco central e consultada hoje pela Lusa, refere-se que o ‘stock’ da dÃvida interna aumentou 16,5% num ano, de 406.996 milhões de meticais (5,58 mil milhões de euros) em 2024 para 474.013 milhões de meticais (6.500 milhões de euros) em 2025.
“O risco soberano continuou no nÃvel severo”, assinala o banco central no documento, acrescentando que a manutenção nesse patamar resulta da “pressão sobre o endividamento público interno”.
O documento identifica a dÃvida pública como uma das principais vulnerabilidades do sistema financeiro nacional, referindo que a pressão incidiu sobretudo sobre a componente interna da dÃvida, impulsionada pelo recurso a Obrigações e Bilhetes do Tesouro para financiar necessidades de tesouraria do Estado.
O Banco de Moçambique alerta ainda que os atrasos nos pagamentos do Estado comprometeram a confiança nos tÃtulos soberanos e contribuÃram para rigidez nas taxas de juro do mercado interbancário.
Num exercÃcio prospetivo de teste de esforço para 2027, o banco central concluiu que “a elevada exposição a ativos soberanos representa o desafio mais significativo para a capitalização do setor”, advertindo para os riscos associados à forte ligação entre banca e dÃvida pública.
Apesar disso, o Ãndice global de risco sistémico baixou para 29,86%, permanecendo num nÃvel considerado moderado.
Numa outra avaliação, divulgada em maio após a reunião do Comité de PolÃtica Monetária (CPMO), o Banco de Moçambique já tinha alertado que o “elevado” volume dos atrasados e do endividamento público continua a afetar o funcionamento do mercado financeiro e a liquidez bancária.
“O endividamento público e os atrasados da dÃvida interna e externa mantêm-se elevados, afetando o normal funcionamento do mercado financeiro e a liquidez bancária”, lê-se no comunicado divulgado após a reunião do CPMO.
O banco central apontou então que a dÃvida pública interna, excluindo contratos de mútuo e de locação e responsabilidades em mora, cresceu para 493,1 mil milhões de meticais (6.630 milhões de euros), mais 18,5 mil milhões de meticais (248,7 milhões de euros) face a dezembro de 2025.
“Persistem os atrasos no pagamento da dÃvida pública interna e externa, incluindo com as instituições financeiras nacionais e os credores multilaterais, com impactos, entre outros, na fraca apetência por tÃtulos públicos, na rigidez das taxas de juro do mercado monetário interbancário e na avaliação do risco do paÃs”, referia.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou em fevereiro que Moçambique “enfrenta condições de financiamento cada vez mais difÃceis”, apontando os atrasos no serviço da dÃvida e a menor disponibilidade de financiamento para o Estado.
Nas conclusões das consultas efetuadas ao abrigo do artigo IV, o FMI assinalou que a detenção de tÃtulos públicos pelos bancos nacionais, principal fonte de financiamento dos défices orçamentais, estagnou, enquanto o financiamento externo lÃquido se tornou negativo.
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