
Praia, 28 out 2022 (Lusa) – O Banco de Cabo Verde (BCV) decidiu manter a taxa de juro de referência inalterada, em 0,25%, apesar do movimento contrário do Banco Central Europeu para tentar conter a inflação na Europa, anunciou hoje o governador.
“Considerando o contexto e as especificidades da economia nacional, consubstanciado pela conjuntura interna, decidiu-se ponderadamente pela manutenção das taxas de referência nos nÃveis atuais”, anunciou o governador do BCV, Óscar Santos, ao apresentar, na Praia, o relatório de polÃtica monetária do banco central, de outubro.
“O BCV está, no entanto, consciente do alargamento do diferencial das taxas de juros de referência face à s da Zona Euro, resultante do processo acelerado de normalização da polÃtica monetária pelo Banco Central Europeu, e do seu potencial impacto nos fluxos de capitais externos. Contudo, considerando as demais variáveis avaliadas, entende ser relevante manter, por ora, o pendor da polÃtica monetária”, acrescentou.
“O Banco Central Europeu tem tido um comportamento muito agressivo, a retoma normal da polÃtica monetária menos acomodatÃcia por causa da inflação, mas há um debate alargado sobre isso. Temos um aumento acentuado das taxas de juros e mesmo assim a inflação continua a crescer”, destacou igualmente.
Assim, no atual contexto, a polÃtica monetária do BCV “deverá manter o pendor acomodatÃcio”, considerando que “a economia nacional prossegue uma trajetória de recuperação, com a atividade económica a beneficiar da performance do setor do turismo, cujos resultados ultrapassaram largamente as expetativas, particularmente no primeiro semestre”.
“As reservas internacionais lÃquidas situam-se num nÃvel confortável, cobrindo mais do que cinco meses de importações de bens e serviços, considerado adequado para a manutenção da estabilidade do regime cambial de ‘peg’ fixo [paridade entre o escudo cabo-verdiano e o euro]”, apontou Óscar Santos.
“As pressões inflacionárias não são endógenas e não decorrem do aumento da procura local originado pelo aumento da liquidez, pelo contrário resultam do aumento dos preços de energia e matérias-primas no mercado internacional que são transmitidos internamente pelo regime cambial”, disse ainda, justificando a decisão do BCV.
O BCV prevê uma inflação de 8% em Cabo Verde este ano e de cerca de metade em 2023, segundo os dados apresentados hoje.
O banco central cabo-verdiano, anunciou ainda, vai ajustar o programa de financiamento de longo prazo aos bancos, lançado devido à pandemia de covid-19, estendendo-o ate´ junho de 2023, mas reduzindo o montante de colocação mensal, de 1.300 milhões de escudos (11,7 milhões de euros) para 1.000 milhões de escudos (nove milhões de euros), mantendo a maturidade de três anos para os leilões, e de um e dois anos para as operações bilaterais.
“O BCV continuará a acompanhar a evolução da conjuntura internacional e os riscos advenientes para a economia nacional, mantendo-se alerta e apto a intervir em qualquer momento visando a salvaguarda da estabilidade financeira e a garantia da credibilidade do regime cambial de ‘peg’ unilateral face ao euro”, concluiu Óscar Santos.
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