
Praia, 03 jun 2022 (Lusa) – O Banco de Cabo Verde (BCV) prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) do arquipélago retome valores anteriores à pandemia na segunda metade deste ano, mas a procura turÃstica só voltará aos nÃveis anteriores à covid-19 em 2024.
“Estima-se que o valor do PIB antes da pandemia seja alcançado na segunda metade de 2022”, lê-se num recente relatório sobre PolÃtica Monetária do BCV, que também reconhece que “com o escalar da guerra entre a Rússia e a Ucrânia”, as perspetivas económicas para este ano “estão fortemente influenciadas pela elevada incerteza e o exacerbar dos riscos e tensões geopolÃticas e financeiras”.
O BCV prevê um crescimento do PIB de Cabo Verde no intervalo de 3,5 a 4,5% em 2022, uma revisão em baixa face às consequências económicas do conflito na Ucrânia tendo em conta os anteriores 5,6%, admitidos pela instituição em outubro passado.
Em 2021, a economia de Cabo Verde cresceu 7% e em 2020, devido aos primeiros efeitos da pandemia e do confinamento em todo o mundo, registou uma recessão económica de 14,8% do PIB, tendo crescido 5,7% em 2019.
“Estas projeções, face à s divulgadas em outubro [de 2021], incluem uma revisão em baixa do crescimento do PIB para 2022, o que reflete o impacto da perda de poder de compra induzida pela subida da inflação e das hipóteses menos favoráveis do contexto externo mundial e, particularmente, das economias dos principais parceiros económicos do paÃs. A inflação, por seu turno, foi revista em alta, traduzindo os valores elevados recentes e a revisão em alta das hipóteses para o preço do petróleo e de outras matérias-primas”, alerta o BCV, que admite uma subida média dos preços no paÃs de mais de 7% este ano, quando em 2021 foi inferior a 2%.
O banco central acrescenta que com a retoma do turismo após a pandemia, iniciada no último trimestre de 2021 “e que se espera que se mantenha ao longo do ano” de 2022, é de esperar “um aumento nas exportações de serviços, sobretudo de turismo”, apesar dos “efeitos negativos limitados do conflito na Ucrânia”, “que levará à uma melhoria da procura externa lÃquida”.
“Contudo, esta melhoria não será suficiente para contribuir positivamente para o crescimento económico. As exportações crescerão a um ritmo inferior à s importações. Realça-se que, as exportações de serviços de turismo em 2022 ficarão ainda muito aquém dos nÃveis observados em 2019, antecipando-se que atinja o nÃvel pré-pandemia só a partir de 2024”, conclui o Banco de Cabo Verde.
O arquipélago registou em 2019 um recorde de 819 mil turistas, procura que caiu cerca de 70% no ano seguinte, devido às restrições impostas pela pandemia de covid-19.
O PIB — toda a riqueza produzida no paÃs — cabo-verdiano recuou para cerca de 164.911 milhões de escudos (1.493 milhões de euros) em 2020 e recuperou no ano seguinte, subindo para 176.960 milhões de escudos (1.602 milhões de euros), segundo dados provisórios.
Para este ano, o Governo prevê um PIB de cerca de 188.945 milhões de escudos (1.710 milhões de euros).
“As atuais projeções, face à s divulgadas em outubro, refletem uma revisão em baixa do crescimento do PIB para 2022, como consequência da perda de poder de compra induzida pela subida da inflação e da revisão, em baixa, do crescimento das economias dos principais parceiros económicos do paÃs”, alerta o BCV.
Cabo Verde enfrenta uma profunda crise económica e financeira, decorrente da forte quebra na procura turÃstica — setor que garante 25% do PIB do arquipélago — desde março de 2020.
Entretanto, devido às consequências económicas da guerra na Ucrânia, o Governo cabo-verdiano reviu de 6% para 4% a perspetiva de crescimento económico em 2022.
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