Banco central russo baixa previsões de crescimento da economia em 2026

Moscovo, 05 ago 2026 (Lusa) — O Produto Interno Bruto (PIB) da Rússia cresceu 0,8% no segundo trimestre de 2026, após uma contração de 0,3% nos primeiros três meses, informou hoje o Banco Central russo, que reviu em baixa as previsões para este ano.

O crescimento do PIB ficou 0,1 pontos percentuais abaixo da previsão feita em abril, segundo o regulador russo, que espera que a economia nacional cresça 0,5% durante o terceiro trimestre.

A previsão de crescimento do PIB para 2006 foi, no entanto, reduzida em 0,5 pontos percentuais, para entre 0% e 1%, “devido, entre outros fatores, a uma queda temporária da capacidade produtiva em certos setores da economia”, observou o banco central, em plena crise de escassez de combustível no país devido aos ataques ucranianos contra infraestruturas petrolíferas.

Como resultado, “os dados atuais indicam uma desaceleração da atividade económica em julho”, afirmou o regulador.

“Olhando para o futuro, o Banco da Rússia espera uma estabilização gradual do mercado dos combustíveis e uma desaceleração do crescimento dos preços no consumidor, mesmo nas atuais condições da política monetária”, acrescentou, referindo-se à taxa de juro de 14%.

Além disso, calculou que a inflação se tenha situado entre 6% e 7% até ao final do segundo trimestre de 2026, depois de ter acelerado em junho e julho e atingido a projeção de 5,9%.

Hoje, o jornal Kommersant relatou uma fraca situação da procura e da produção industrial no país, que depende exclusivamente de encomendas internas, as quais, dada a situação atual, estão na sua maioria ligadas ao setor militar.

Em meados de julho, o Kremlin (presidência russa) negou que o país estivesse mergulhado numa crise económica, apesar da contração económica nos primeiros meses do ano, o que levou o Governo a rever em baixa a sua previsão de crescimento para este ano, de 1,3% para 0,4%.

O défice orçamental no primeiro semestre do ano atingiu 5,731 biliões de rublos (75,502 mil milhões de dólares ou 66 mil milhões de euros), o equivalente a 2,5% do PIB, mais do dobro do registado no mesmo período do ano passado.

Enquanto as autoridades económicas tentam lidar com a situação, o Kremlin continua a dar prioridade aos gastos militares e, após mais de quatro anos de guerra na Ucrânia sem avanços significativos no terreno, mantém-se inflexível nas suas exigências a Kiev.

Nos últimos meses, os Estados Unidos levantaram algumas sanções impostas ao petróleo russo após a invasão da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022.

Esta suspensão tinha como objetivo conter a subida dos preços do crude provocada pelo conflito lançado em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel contra o Irão, motivando críticas da Ucrânia e dos seus aliados europeus, que alertaram para o aumento da capacidade de o Kremlin financiar o seu esforço de guerra quando enfrentava dificuldades económicas.

O Congresso norte-americano tem entretanto em apreciação novas restrições à Rússia, que visam atingir o setor de hidrocarbonetos, impondo tarifas até 500% nas suas vendas.

O projeto-lei que recebeu o nome do senador republicano Lindsey Graham, um apoiante de Kiev que morreu subitamente no mês passado, confere também poderes ao Presidente norte-americano de impor tarifas secundárias até 100% aos maiores importadores de petróleo russo, incluindo China e índia.

Os Estado Unidos estiveram na linha da frente na aplicação de sanções a Moscovo após a invasão da Ucrânia, mas a abordagem de Washington ao conflito foi alterada com o regresso de Donald Trump à liderança da Casa Branca, em janeiro de 2025, procurando desde então e sem sucesso atuar como mediador no conflito.

A União Europeia continua, por seu lado, a atualizar as sanções à Rússia, tendo aprovado em julho o seu 21.º pacote de restrições, a par do apoio financeiro e militar a Kiev.

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