Banco central mantém taxa de juro em Moçambique e antevê inflação a dois dígitos

Maputo, 25 mai 2026 (Lusa) – O Banco de Moçambique manteve hoje a taxa de juro de referência em 9,25%, aumentou o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional e admitiu que a inflação dispare para dois dígitos devido à crise dos combustíveis.

“Esta decisão decorre da prevalência de elevadas incertezas quanto à duração do conflito no Médio Oriente e ao seu impacto sobre a cadeia logística e a oferta de bens, assim como sobre os preços internacionais e domésticos dos combustíveis e alimentos”, começou por explicar o governador do banco central, Rogério Zandamela.

A posição foi assumida no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), em Maputo, que se realiza a cada dois meses, e que assim decidiu manter a taxa inalterada, tal como já o tinha feito em março, então após 12 cortes (24 meses) consecutivos desde janeiro de 2024, com Zandamela a admitir que a continuidade da pausa neste “relaxamento” da taxa MIMO depende da evolução do contexto nacional e internacional.

Adicionalmente, anunciou, o CPMO decidiu aumentar o coeficiente de reservas obrigatória para os passivos em moeda nacional de 29% para 39% do total de depósitos que os bancos comerciais têm de guardar no banco central, “visando absorver a liquidez excedentária no sistema bancário, suscetível de gerar maior pressão inflacionária”. Contudo, aquele órgão decidiu manter o coeficiente de reservas obrigatórias para os passivos em moeda estrangeira em 29,5%.

O governador do banco central anunciou também que a previsão da inflação foi agora “revista em alta”, recordando que em abril a inflação anual fixou-se em 4,4%, após 3,4% em março.

“Entretanto, no curto e médio prazo, antevê-se uma aceleração da inflação, podendo atingir dois dígitos, dependendo da duração do conflito no Médio Oriente”, disse Zandamela, reconhecendo desde logo os “efeitos diretos e indiretos do ajustamento dos preços domésticos dos combustíveis líquidos”, bem como “da intermitência no seu fornecimento” e da inflação importada.

Os preços em Moçambique aumentaram 0,63% em abril, quase o triplo do crescimento registado em março, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). A inflação em Moçambique cifrou-se em 3,23% em 2025, segundo dados anteriores do INE, abaixo do registo de 2024 e das previsões do Governo, que prevê em torno de 7% para este ano.

“Evidentemente, os riscos e incertezas associados às projeções da inflação continuam a agravar-se. A nível doméstico, evidenciam-se os riscos e incertezas, primeiro, quanto à magnitude dos efeitos indiretos do aumento dos preços dos combustíveis sobre a cadeia logística e oferta de bens”, reconheceu hoje o governador.

Contudo, admitiu, há preocupação com “o ritmo da reposição da capacidade produtiva na sequência das inundações que assolaram o país no primeiro trimestre do ano”, bem como com “os efeitos do agravamento do risco fiscal, com destaque para os atrasos nos pagamentos devidos pelo Estado”.

A próxima reunião do CPMO está agora agendada para 29 de julho, foi ainda anunciado.

A taxa de juro diretora de política monetária MIMO em Moçambique esteve fixada em 17,25% desde setembro de 2022, após a intervenção do banco central, que depois iniciou cortes consecutivos a partir de 31 de janeiro de 2024, quando reduziu para 16,5%.

Em março do ano passado, o Banco de Moçambique decidiu baixar a taxa para 15,75%, cortes que se foram repetindo em todas as reuniões seguintes, até chegar a 9,75% em setembro, 9,50% em novembro e em janeiro 9,25%, suspendendo em março, e mantendo em maio o ciclo de descidas.

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