Banco Central do Brasil descarta aceleração do ritmo de redução de juros

São Paulo, Brasil, 26 set 2023 (Lusa) – O Banco Central do Brasil descartou intensificar o ritmo de redução das taxas de juros, como aconteceu nas últimas reuniões, segundo a ata da última reunião do seu Comité de Política Monetária(Copom) divulgada hoje.

Os membros da entidade emissora indicaram que, sem uma dinâmica na inflação dos serviços que seja “substancialmente mais benigna do que o esperado”, é pouco provável que esta taxa de reduções se intensifique.

“Este ritmo combina, por um lado, uma aposta firme na ancoragem das expectativas e das dinâmicas desinflacionistas e, por outro, um ajustamento ao nível de aperto monetário em termos reais”, observa-se na ata da reunião.

Na reunião da semana passada, por decisão unânime, a taxa básica de juro no Brasil foi reduzida em meio ponto percentual para 12,75% ao ano, o nível mais baixo em quase três anos.

A redução do custo do dinheiro no Brasil foi a segunda consecutiva, depois de também ter diminuído 0,50 ponto percentual em agosto.

Segundo a ata, o Copom considerou, na sua decisão, “preocupações fiscais, temores de desinflação global” e a “possível perceção” por parte do mercado de que o órgão “poderia se tornar mais brando no combate à inflação”.

Neste sentido, o Comité “reforça a necessidade de perseverar uma política monetária contracionista até que se consolide não só o processo de desinflação, mas também a ancoragem das expectativas em torno dos seus objetivos”.

O Banco Central brasileiro só iniciou o processo de redução gradual dos juros em agosto, apesar da forte pressão do Governo desde que Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência do Brasil em janeiro deste ano.

O titular da entidade emissora, Roberto Campos Neto, foi nomeado pelo presidente anterior, Jair Bolsonaro (2019-2022), e tem permanência prevista até 2024.

Os economistas de mercado mantiveram a projeção para a inflação deste ano em 4,86% no Boletim Focus, portanto, caso essa previsão se concretize, o índice de preços em 2023 ficará um pouco acima do teto da meta do Banco Central para o ano (4,75%).

Porém, segundo economistas consultados semanalmente pelo Banco Central, a inflação em 2023 ficaria abaixo da registada no ano passado (5,79%).

Os mesmos analistas preveem que a inflação continuará a diminuir e que em 2024 será de 3,86%, tal como tinham estimado no boletim da semana anterior. 

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