
Maputo, 27 fev 2020 (Lusa) – O banco central de Moçambique decidiu hoje manter a taxa de referência em 12,75%, argumentando com a previsão de projeção de apenas um dÃgito, mostrando-se, ainda assim, preocupado com fatores que podem influenciar os preços.
“O Comité de PolÃtica Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de polÃtica monetária, taxa MIMO, em 12,75%; apesar do agravamento de riscos e incertezas para o horizonte de curto a médio prazos, a decisão é sustentada pelo facto de as projeções continuarem a indicar uma inflação de um dÃgito”, lê-se no comunicado hoje distribuÃdo em Maputo.
No texto que sustenta a decisão, o banco central afirma que “em face da sua avaliação sobre o futuro, aumenta a preocupação do CPMO quanto à evolução dos riscos e incertezas subjacentes à s projeções de inflação”.
Assim, acrescenta-se, “o CPMO continuará a monitorar os indicadores económico-financeiros e os fatores de risco, bem como o seu impacto sobre as perspetivas de inflação, e poderá tomar medidas corretivas necessárias antes da sua próxima reunião ordinária, agendada para o dia 30 de abril de 2020”.
As perspetivas de inflação para o médio prazo “foram revistas em alta, mantendo-se, ainda assim, na banda de um dÃgito”, diz-se no comunicado, que não apresenta números para estas previsões.
O aumento da inflação “decorre, fundamentalmente, do ajustamento em alta do nÃvel do impacto dos choques climatéricos sobre a dinâmica futura dos preços, conjugado com as perspetivas de depreciação do Metical no curto prazo e a tendência para o aumento dos preços dos alimentos no mercado internacional”.
Na reunião de hoje, os banqueiros decidiram também manter as taxas da Facilidade Permanente de Depósitos (FPD) e da Facilidade Permanente de Cedência (FPC) em 9,75% e 15,75%, respetivamente, e decidiram também manter os coeficientes de Reservas Obrigatórias (RO) para os passivos em moeda nacional e em moeda estrangeira em 13% e 36%.
Para o CPMO, segundo a avaliação feita da conjuntura macroeconómica recente “os riscos e as incertezas associados à s projeções agravaram-se”.
A nÃvel interno, “destaca-se a intensificação da instabilidade militar na zona norte do paÃs, para além das incertezas quanto ao prolongamento e impacto das cheias e secas que têm assolado o território nacional, e a nÃvel externo, realça-se a recente eclosão da epidemia do Covid-19 que, em caso de prolongamento, poderá resultar no abrandamento da economia global e consequente fraca procura externa, com impacto sobre a dinâmica dos preços domésticos”.
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