
Nações Unidas, 23 set 2025 (Lusa) – As Nações Unidas, em 80 anos de existência, ainda não conseguiram encontrar uma mulher para assumir o cargo de secretária-geral, apesar das “quatro mil milhões de candidatas”, lembrou a nova presidente da Assembleia-Geral da organização, Annalena Baerbock.
“Em 80 anos, esta organização nunca escolheu uma mulher para este cargo. Poder-se-á perguntar como é que, de quatro mil milhões de potenciais candidatas, não foi possível encontrar uma única?”, questionou, referindo-se ao número de mulheres no mundo, na sua intervenção na abertura do debate de alto nível da Assembleia-Geral da ONU.
Baerbock é apenas uma das cinco mulheres entre as 80 pessoas que ocuparam a presidência da Assembleia-Geral da ONU.
A posse da ex-ministra dos Negócios Estrangeiros alemã como presidente ocorre num momento de intenso debate sobre a necessidade de uma mulher assumir pela primeira vez o cargo de secretária-geral da ONU quando António Guterres concluir o seu mandato, no final de 2026.
No entanto, nenhum nome obteve ainda o consenso necessário entre os países.
Baerbock reconheceu que a eleição de um presidente da Assembleia-Geral é uma decisão que cabe aos Estados-membros – que devem indicar os candidatos -, mas enfatizou que este processo não se trata apenas de uma representação igualitária, mas também da credibilidade da própria ONU.
Porém, as declarações da ex-ministra alemã contrastam com a realidade na sede da ONU, onde a maioria dos chefes de delegação que discursarão durante a semana de alto nível são homens, como tem acontecido nos últimos anos. Os números revelam que mulheres chefes de delegação representaram pouco mais de 10% dos oradores.
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