Autoridades moçambicanas pedem retirada de populações em zonas de risco de inundações

Xai-Xai, Moçambique, 17 mar 2026 (Lusa) — Autoridades moçambicanas pediram hoje a retirada das populações nas zonas baixas nas províncias de Inhambane, Gaza e Sofala, face ao risco de uma segunda vaga de inundações.

“Queríamos reforçar os apelos que sempre temos vindo a fazer para a retirada das pessoas das zonas baixas, principalmente aquelas que se encontram nas províncias que fizemos menção [Inhambane, Gaza e Sofala], para que estejam atentos e se retirem dessas zonas”, disse a presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque.

A responsável indicou que as autoridades já identificaram locais para acolhimento das populações, caso seja necessária a abertura de centros de acomodação nas áreas afetadas.

Segundo a dirigente, equipas técnicas e multidisciplinares estão mobilizadas nas províncias de Inhambane e Gaza, no sul de Moçambique, e Sofala, no centro do país, para acompanhar a situação e reforçar as medidas de prevenção face ao risco de cheias.

 O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique subiu para 279, com quase 900 mil pessoas afetadas, desde outubro, segundo nova atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

De acordo com informação da base de dados do INGD atualizada hoje, contabilizam-se mais dois mortos face a segunda-feira, tendo sido afetadas 892.273 pessoas (mais 22 mil face ao balanço anterior) na presente época das chuvas – que se prolonga ainda até abril -, correspondente a 205.479 famílias, havendo também 11 desaparecidos e 340 feridos.

Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 715.716 pessoas. Já a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos e afetou 9.040 pessoas, segundo os dados atualizados do INGD.

Um total de 15.898 casas ficaram parcialmente destruídas, 6.305 totalmente destruídas e 187.262 inundadas, na presente época chuvosa. Ao todo, 303 unidades de saúde, 84 locais de culto e 722 escolas foram afetadas em cinco meses e meio.

Os dados do INGD indicam ainda que 267.205 hectares de áreas agrícolas foram perdidos, afetando 342.227 agricultores, e 531.058 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves.

Foram ainda afetados nesta época das chuvas 7.612 quilómetros de estradas, 45 pontes e 261 aquedutos.

Desde outubro, o instituto de gestão de desastres moçambicano ativou 155 centros de acomodação, que chegaram a albergar 114.734 pessoas, dos quais 25 ainda estão ativos (mais cinco na última semana, devido às recentes inundações), com pelo menos 6.760 pessoas, além do registo de 6.931 pessoas que tiveram de ser resgatadas.

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