
Inhambane, Moçambique, 15 out 2026 (Lusa) — As autoridades moçambicanas estimam que mais de 228 mil pessoas poderão ser afetadas por fenómenos climáticos na próxima época chuvosa na província de Inhambane, sul do país, adiantando ter um défice orçamental de 2,4 milhões de euros.
O delegado do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Gilberto Miguel, explicou que o primeiro cenário, caracterizado por cheias e inundações, prevê fenómenos de pequena magnitude, mas com impactos significativos, sobretudo nas comunidades mais vulneráveis, enquanto o segundo combina esses riscos com a possibilidade de cheias nas bacias hidrográficas e a ocorrência de ciclones.
«O número total do cenário dois estamos a falar de 228.904 pessoas que poderão ser afetadas», disse o responsável, durante a apresentação dos cenários de risco e das necessidades de preparação para a época chuvosa.
Gilberto Miguel apontou também limitações financeiras para responder aos riscos previstos, indicando um défice orçamental de cerca de 176 milhões de meticais(2,4 milhões de euros).
Na mesma ocasião, o governador de Inhambane, Francisco Pagula, defendeu a antecipação de medidas no setor agrícola, nomeadamente através da identificação de culturas cuja produção possa ser reforçada para garantir resultados num curto espaço de tempo e apoiar as comunidades.
«Quais são as culturas que podemos massificar a sua produção nesta altura que vão trazer resultado rápido para as nossas comunidades?», questionou.
Por sua vez, a secretária de Estado na província, Arsénia Massingue, apelou ao envolvimento das lideranças comunitárias, autoridades locais e secretários dos bairros na preparação para a época chuvosa, defendendo uma mobilização rápida para garantir a participação das comunidades nas medidas preventivas.
Inhambane foi uma das províncias afetadas pelas inundações de janeiro e pela passagem do ciclone tropical intenso Gezani, em fevereiro deste ano, que provocou pelo menos quatro mortos, um ferido grave e cerca de 500 pessoas afetadas, segundo dados preliminares divulgados na altura pelo INGD. A intempérie danificou ainda 1.253 casas, 67 escolas, 200 salas de aula e oito unidades sanitárias, além de infra-estruturas de energia e abastecimento de água.
Segundo dados do INGD, a época chuvosa anterior, entre Outubro de 2025 e Abril de 2026, provocou 311 mortos e afectou cerca de 1,07 milhões de pessoas em Moçambique. Os cenários de risco para o novo período visam antecipar as necessidades de resposta e orientar a mobilização de recursos para reduzir os impactos de cheias, ciclones e outros fenómenos extremos.
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