
Xai-Xai, Moçambique, 16 fev 2026 (Lusa) — As autoridades moçambicanas alertaram hoje para a venda de produtos alimentares impróprios para consumo, alegadamente retirados de zonas inundadas na cidade de Xai-Xai, província de Gaza, apelando à população para que evite adquirir estes bens.
A denúncia foi feita pela delegada da Inspeção Nacional das Atividades Económicas (INAE) em Gaza, Mirna Chibuco, que indicou terem sido identificados comerciantes a tentar comercializar produtos expostos às águas das cheias que afeta o sul do país desde janeiro.
“Houve alguns agentes que optaram por retirar aquele produto que não esteve em contacto com as águas para a zona alta e meteram nos seus armazéns. E tivemos informação de que alguns já estavam a vender”, disse a responsável, acrescentando que as equipas intervieram para separar os bens e sensibilizar os operadores económicos.
Segundo Mirna Chibuco, os produtos considerados impróprios “não podem serem consumidos” por humanos ou animais domésticos, sublinhando que a sua ingestão representa um risco para a saúde pública.
“A nossa população [que] não se faça às lojas para comprar produto porque está barato”, sublinhou, referindo que arroz, açúcar e refrigerantes estão entre os bens colocados à venda e alertando ainda para doenças causadas por produtos deteriorados.
A província de Gaza, no sul de Moçambique, foi uma das mais afetadas pelas cheias registadas nas últimas semanas, com inundações que provocaram destruição de infraestruturas, perdas de bens e deslocação de famílias.
O total de mortos na atual época das chuvas em Moçambique subiu para 215, com registo de mais de 856 mil afetadas, desde outubro, segundo a atualização feita hoje pelo instituto de gestão de desastres.
De acordo com informação da base de dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), a que a Lusa teve acesso e atualizada às 09:18 de hoje (07:18 de Lisboa), foram afetadas um total de 856.845 pessoas, o correspondente a 198.053 famílias, havendo também 12 desaparecidos, além de 314 feridos.
Só as cheias de janeiro provocaram pelo menos 27 mortos e a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, levou à morte de outras quatro pessoas, segundo os dados atualizados do INGD sobre a época das chuvas.
Acrescenta-se que um total de 13.698 casas ficaram parcialmente destruídas na presente época das chuvas, além de 5.694 totalmente destruídas e outras 183.812 inundadas.
Um total de 246 unidades de saúde, 74 casas de culto e 635 escolas foram afetadas em pouco mais de quatro meses e meio.
Os dados do INGD indicam ainda que 554.603 hectares de áreas agrícolas foram afetadas neste período, 287.810 hectares dos quais dados como perdidos, atingindo 365.137 agricultores. Também 530.998 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves, e foram afetados 6.542 quilómetros de estrada, 35 pontes e 123 aquedutos.
Desde outubro, o instituto moçambicano de gestão de desastres ativou 137 centros de acomodação, que albergaram 112.959 pessoas, dos quais 51 ainda estão ativos, com pelo menos 41.197 pessoas.
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