
Santo Domingo, 03 mai 2025 (Lusa) — O número de mortos no desabamento do teto de uma discoteca em Santo Domingo foi novamente revisto, subindo para 233, após a morte de uma mulher hospitalizada desde o desastre, em 08 de abril.
Familiares da vÃtima disseram aos meios de comunicação locais na sexta-feira que a mulher morreu numa clÃnica na provÃncia de San Cristóbal, no sudeste do paÃs, para onde foi levada com ferimentos graves.
Há apenas três dias, a famÃlia tinha solicitado publicamente ajuda para cobrir o custo do tratamento médico da mulher, de 35 anos, cuja situação que se complicou depois com problemas renais.
O teto da discoteca desabou na madrugada de dia 08 de abril, quando entre 500 e mil pessoas assistiam a um concerto da estrela do merengue Rubby Pérez, que morreu no acidente. Cerca de 189 pessoas foram resgatadas.
As autoridades adiantaram que 221 pessoas morreram instantaneamente no local, enquanto as restantes morreram nos centros de saúde para onde foram levadas. A tragédia fez também 180 feridos.
Chocados com os acontecimentos, os familiares das vÃtimas têm exigido explicações sobre as causas da tragédia.
A presidência anunciou a criação de uma comissão de peritos nacionais e internacionais para determinar as causas do acidente.
Os seis dias de luto decretados pelo presidente Luis Abinader terminaram no domingo.
Entre as vÃtimas mortais estão 18 cidadãos venezuelanos, três hispano-dominicanos, dois cidadãos franceses, um haitiano, um colombiano, um italiano, um queniano e um costarriquenho.
Localizada no Distrito Nacional de Santo Domingo, uma zona conhecida pela sua vida noturna e estabelecimentos de alto nÃvel, a discoteca foi inaugurada em 1994 num edifÃcio construÃdo anteriormente para acolher um cinema.
Em 2023, sofreu um incêndio provocado por um raio que atingiu a instalação elétrica do edifÃcio, mas o estabelecimento foi reaberto pouco tempo depois.
Diversas vozes têm alertado sobre as condições de segurança do edifÃcio da discoteca, depois da divulgação de vÃdeos que mostram momentos anteriores ao desabamento e que lançam várias dúvidas sobre a supervisão do local e a robustez da estrutura.
O dono da discoteca, Antonio Espaillat, entregou-se à justiça e numa entrevista dada a 23 de abril à televisão local Telesistema, admitiu que os painéis do teto da discoteca estavam sempre a cair, e que alguns deles foram mesmo recolocados no dia da tragédia.
Espaillat, presidente da RCC Media, o segundo maior grupo de media do paÃs, que inclui vários canais de televisão e mais de 50 estações de rádio, reconheceu ainda que o telhado nunca foi examinado para verificar a situação real, apesar das infiltrações.
Considerada agora a maior tragédia do século na República Dominicana, o desastre supera, em termos de número de vidas humanas, o incêndio de 2005 numa prisão em Higuey, no leste do paÃs, que custou a vida a 136 reclusos.
VQ (DMC) // VQ
Lusa/Fim



