
Macau, China, 17 set (Lusa) — As autoridades de Macau suspenderam hoje, pelas 18:00 (11:00 em Lisboa) todos os sinais de alerta de tempestade tropical, num momento em que o tufão Mangkhut se encontra a cerca de 740 quilómetros do território.
No domingo, o sinal 10 de tempestade tropical, o máximo de uma escala com 1, 3, 8 e 9, esteve em vigor durante nove horas, o mais longo perÃodo registado desde 1968.
As autoridades já tinham cancelado à s 23:00 de domingo (16:00 em Lisboa) os alertas de “storm surge” (maré de tempestade).
O balanço provisório regista 17 feridos, um deles em estado grave, em resultado da passagem da pior tempestade do ano, que está a enfraquecer depois de ter atingido terra na China continental.
No ano passado, o tufão Hato, apesar de se caracterizar pela mesma intensidade do Mangkhut, tinha feito dez mortos e 240 feridos em Macau.
Hoje, em conferência de imprensa, o Secretário para a Segurança de Macau defendeu que a este ano foi possÃvel minimizar perdas e prejuÃzos sobretudo devido à cooperação entre as entidades ligadas à proteção civil e à consciência dos residentes, já que “a maioria dos cidadãos obedeceu à s ordens de evacuação”.
Wong Sio Chak disse que “os resultados relativamente satisfatórios (…) resultam do contributo dos diversos serviços do Governo” de Macau e do “aumento de consciência de proteção civil de toda a sociedade”.
O Secretário para a Segurança salientou ainda o facto das operadoras e jogo terem suspendido a sua atividade no momento crÃtico da passagem do tufão, o que permitiu “garantir a segurança de vida do pessoal” e “evitar a pressão de trabalho das forças policiais”.
O responsável destacou ainda a articulação com os serviços dos postos fronteiriços, de maneira a assegurar a proteção dos cidadãos e turistas, bem como a decisão de suspender as aulas nas escolas e dispensar o serviço dos funcionários públicos enquanto decorriam os trabalhos de limpeza e remoção de detritos como fundamentais.
“Alguns residentes das zonas baixas recusaram a evacuar-se em situação de crise”, lamentou Wong Sio Chak, sublinhando que esse facto não colocou apenas em perigo a própria vida das pessoas, mas igualmente das forças de segurança, provocando ainda demora na resposta na prestação de outros trabalhos de socorro.
Até às 18:00 locais (11:00 em Lisboa), foram registados 573 incidentes em Macau, segundo o Centro de Operações da Proteção Civil (COPC).
Em comunicado, o COPC indicou que a maioria dos casos diz respeito à queda de reclamos, toldos, janelas e outros objetos (255), danos em construção (61), queda de árvores (58), queda de andaimes (24), inundações (26), suspensão/queda de cabos de eletricidade (20), deslizamento de terras (2), incidentes na via pública (6) e incidentes marÃtimos (2).
Ainda segundo o COPC, foram registados, nas últimas 24 horas, 31 casos de cobrança excessiva de tarifa por parte de taxistas, 11 casos de recusa de transporte e dois casos de exploração ilÃcita do serviço de táxi.
O dia de hoje ficou marcado pela reabertura das pontes que ligam a penÃnsula à ilha da Taipa e o reinÃcio das ligações marÃtimas e aéreas.
Com o afastamento gradual do Mangkhut, por volta das 04:00 (21:00 de domingo em Lisboa), hora em que foi içado o sinal 3, as três pontes que ligam Macau e a Taipa foram reabertas ao trânsito, indicou o COPC.
Pelas 08:00 locais (01:00 em Lisboa), abriram todos os casinos de Macau, encerrados desde as 23:00 de sábado.
Já a primeira ligação marÃtima para Hong Kong realizou-se à s 09:30 (02:30 em Lisboa), também segundo o COPC.
Também os voos de e para Macau foram “retomados gradualmente” durante o dia, de acordo com a página do aeroporto.
Em Macau, em plena madrugada, pelas 03:00 (20:00 em Lisboa), 1.331 pessoas encontravam-se abrigadas em 16 centros de abrigo.
JMC (FST) // VM
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