
Quioto, Japão, 25 jan 2024 (Lusa) – O responsável por um incêndio que matou 36 pessoas em 2019 num estúdio de animação em Quioto, centro do Japão, foi hoje condenado à morte, informaram ‘media’ locais.
Algumas horas, o tribunal considerou Shinji Aoba culpado pelo incêndio, um dos crimes com mais vÃtimas no arquipélago nas últimas décadas e que desencadeou uma onda de indignação no Japão e no estrangeiro.
Os procuradores pediram a pena de morte no mês passado para o homem de 45 anos, em cinco acusações, incluindo homicÃdio, tentativa de homicÃdio e fogo posto.
As vÃtimas mortais eram na maioria jovens empregados do estúdio, apelidado de KyoAni. Mais de 30 pessoas ficaram feridas.
“Não pensei que morressem tantas pessoas e agora acho que fui longe demais”, disse o arguido no primeiro dia do julgamento, em setembro.
“Tenho de pagar o meu crime com [esta pena]”, afirmou numa outra audiência, em dezembro, quando foi questionado sobre o desejo das famÃlias das vÃtimas de o verem condenado à morte.
De acordo com várias testemunhas, Shinji Aoba entrou no estúdio, deitou gasolina e ateou fogo ao gritar: “vocês vão morrer”.
Os bombeiros disseram que a extinção das chamas e socorro à s vÃtimas foram “extremamente difÃceis”.
De acordo com a agência de notÃcias France Presse (AFP), Shinji Aoba queria vingar-se da KyoAni porque estava convencido que a empresa lhe tinha roubado uma ideia para um guião. A alegação foi rejeitada pelo estúdio e descrita pelos procuradores como um delÃrio.
O próprio incendiário, que compareceu no julgamento em cadeira de rodas, ficou gravemente queimado e precisou de várias cirurgias.
Os advogados de defesa argumentaram que o homem não tinha “a capacidade de distinguir entre o certo e o errado” devido a perturbações psiquiátricas. No entanto, para o Ministério Público, o acusado tinha “premeditado o ato com forte intenção assassina e estava perfeitamente consciente dos perigos envolvidos” ao utilizar gasolina.
À semelhança dos Estados Unidos, o Japão é um dos poucos paÃses democráticos a aplicar a pena de morte, executada por enforcamento.
A opinião pública japonesa continua a ser maioritariamente a favor da pena capital, apesar das crÃticas da comunidade internacional.
A última execução no paÃs, onde mais de 100 condenados se encontram no corredor da morte, data de 2022.
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