
Los Angeles, 08 out 2024 (Lusa) – A atriz Lupita Nyong’o perdeu a voz e teve de ficar em silêncio durante três meses por causa do esforço na gravação do novo filme de animação da DreamWorks “Robot Selvagem”, que se estreia na quinta-feira nos cinemas portugueses.Â
“Quando estava a trabalhar nas cenas iniciais o tom era vocalmente muito atlético para mim e lesionei-me, tive de ficar em silêncio durante três meses”, disse a atriz numa conferência de lançamento do filme. “Aprendi uma lição importante de prestar atenção aos meus limites”.Â
Lupita Nyong’o encarna a protagonista de “Robot Selvagem”, o robô humanoide Rozzum 7134, que passa a ser abreviado para “Roz”. A atriz de “Wakanda Para Sempre” inspirou-se em vozes de Inteligência Artificial como Siri e Alexa para conceber um tom de “otimismo programado” que acaba por evoluir no filme.Â
“Se pensarmos nisto ao nÃvel filosófico, uma das coisas que torna os robôs e a IA diferentes dos humanos é o facto de não terem emoção”, disse a atriz, numa exibição antecipada em Los Angeles. “Aqui estamos a contar uma história sobre um robô que começa com uma estrutura muito sofisticada e uma mentalidade programada e devido à s exigências da natureza tem de se adaptar a um sentido de existência mais orgânico”.Â
No final, este ser artificial consegue comover a audiência e parece ter desenvolvido algo similar a emoção, embora não o seja realmente.Â
O criador e realizador Chris Sanders, que adaptou a história a partir do livro com o mesmo tÃtulo de Peter Brown, referiu na conferência que a ideia central é que mais cedo ou mais tarde teremos de mudar a nossa programação para chegar a algum lado.Â
“Somos criaturas de hábitos e detestamos mudanças”, afirmou Sanders. “Às vezes temos medo de que se mudarmos a nossa programação vamos perder-nos e isso não é verdade. Vamos tornar-nos mais dimensionais”.Â
Sanders, conhecido por “Como Treinares o Teu Dragão”, explicou que a equipa decidiu não dar animação à cara do robô Roz, salvo os olhos, e que tudo estaria baseado na interpretação de voz.Â
Houve também um esforço para tornar o ambiente o mais inóspito possÃvel para este robô da cidade, que cai numa ilha selvagem após um acidente com o avião que transportava as caixas.Â
“Ela anda pela floresta quase a fazer publicidade, Ã procura de quem a comprou”, disse Sanders.Â
Outro dos temas do filme é o poder da bondade num contexto de sobrevivência em que todos se podem tornar presas.Â
“Gosto da mensagem de que a bondade é uma força”, disse Lupita Nyong’o na conferência. “Às vezes pensamos em bondade como uma vulnerabilidade e neste filme a jornada da Roz mostra que é uma força a ter em conta”.Â
Há também na história uma exploração da parentalidade, dos sacrifÃcios que os pais fazem pelos filhos e do sentimento agridoce que é vê-los crescerem e um dia irem embora. Kris Bowers, que compôs a banda sonora, inspirou-se no facto de ter sido pai há pouco tempo para criar a música do filme.Â
Para ele, é também uma mensagem subjacente. “É um agradecimento à s pessoas que se sacrificaram por nós, para que nos lembremos disso”, afirmou. “Quer sejam as nossas mães ou quem teve esse papel, fazem tanto por nós, para que sejamos bem-sucedidos neste mundo. É bom lembrar-nos disso e de agradecer”.Â
Com Pedro Pascual a dar a voz a Fink, a raposa matreira que no final se redime, e Kit Connor a interpretar Brightbill, o pequeno ganso de quem a robô Roz cuida, “Robot Selvagem” é uma das maiores apostas de animação de Hollywood para 2024.
A versão portuguesa é protagonizada por Mafalda LuÃs de Castro, Miguel Raposo e Martim Oliveira.
ARYG // MAG
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