
Torun, Polónia, 22 mar 2026 (Lusa) — A mais recente portuguesa campeã mundial de atletismo, Agate Sousa, interiorizou a grandeza da sua vitória no salto em comprimento em pista curta, ao subir hoje ao lugar mais alto do pódio e ouvir o hino nacional.
“O hino tocou-me o coração, estou muito mais feliz. Depois da prova, ainda não estava a perceber quão grande era o que acabei de fazer”, admitiu a atleta do Benfica, de 25 anos, que, em Torun, na Polónia, confirmou o estatuto de líder mundial da disciplina.
Na estreia em Campeonatos do Mundo sob telha, a portuguesa assegurou a medalha de ouro no quinto e penúltimo salto, com a marca de 6,92 metros, mais cinco centímetros do que o conseguido pela italiana Larissa Iapichino, na sua sexta e última tentativa (6,87). A colombiana Natalia Linares terminou em terceiro (6,80).
“Ainda estou com a pulga atrás da orelha por causa do segundo salto, o nulo por três centímetros, que acho que foi um grande salto, mas estou certa que esse vai sair no momento certo”, referiu a campeã do mundo, aludindo aos recordes nacionais que há 18 anos pertencem a Naide Gomes (7,00 ‘indoor’ e 7,12 ao ar livre).
Já com a medalha de ouro ao peito, na zona mista da Arena Torun, Agate Sousa reconheceu que “subir ao pódio e escutar o hino, foi muito especial”.
A saltadora, cujo recorde pessoal é de 7,03 metros, conseguidos em 2023, ainda como são-tomense, ficou hoje a cinco centímetros da sua melhor marca da temporada (6,97).
“Só tenho motivos para estar feliz, motivos para festejar. Apesar de o atletismo ser um desporto individual, quero agradecer a todos os que fizeram parte deste percurso. Estou muito grata por vos ter na minha vida”, reconheceu.
Já sem a tensão pós-prova, muito mais expansiva e sorridente, admitiu ter competido condicionada fisicamente, ainda que isso não lhe limite os festejos.
“Vou poder esquecer a lesão nestes dias, até à próxima semana, porque este é um momento especial”, rematou a atleta, que voltou esta época ao Benfica depois de uma temporada como individual.
Agate Sousa reconquistou para Portugal o título de campeã do mundo no salto em comprimento ‘indoor’, 18 anos depois do triunfo de Naide Gomes, também natural de São Tomé e Príncipe, que se sagrou ainda vice-campeã em Moscovo2006 e Doha2010.
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