
Praia, 27 fev 2023 (Lusa) — O desejo de ajudar no combate à s alterações climáticas levou o ativista ambiental cabo-verdiano Emileno Ortet a criar um projeto para plantar 600 mudas frutÃferas na Praia por ano, transformando a capital do paÃs numa cidade mais verde.
“Desde pequeno que tenho contacto direto com a natureza porque vim de uma famÃlia de agricultores”, diz à Lusa Emileno Ortet, que é também agente da PolÃcia Nacional de Cabo Verde, para explicar as motivações para criar o projeto Praia Cidade Verde, em finais de 2018.
O objetivo é transformar a capital de Cabo Verde numa cidade mais verde, limpa e sustentável, mas também ajudar no combate às alterações climáticas, à desertificação, à fome e à pobreza.
Para isso, a meta é plantar 50 mudas frutÃferas mensais, perfazendo um total de 600 em um ano, em todas as zonas da cidade da Praia, mas também nas escolas, em parceria com a empresa Agrofloresta, de Rui Vaz, no concelho de São Domingos.
As plantações começaram nas ruas do bairro de Achadinha, de onde o promotor é natural, mas estendem-se à s escolas, sendo a última na escola primária Capelinha, em Tira Chapéu, num dos bairros mais problemáticos a nÃvel social da Praia, mas também com algumas crianças com necessidades especiais, em que o objetivo é arranjar-lhes uma ocupação.
“O correto é começar nas escolas, porque se queremos ter mudanças temos de ter contacto direto com as nossas crianças, jovens e adolescentes. Ao verem na prática como se cultiva, vão ganhar uma responsabilidade e um pouco de amor”, salienta Ortet, proprietário de um viveiro onde produz as mudas, mas também faz recolha de sementes junto de amigos e conhecidos.
“Porque, cada planta, ao crescer, as famÃlias que a tem na sua porta irão beneficiar das frutas, vai ficar como uma moeda de troca, ou então satisfazer as suas necessidades, comer”, prevê o ativista em entrevista à Lusa, indicando que entre as frutas que vão ser posteriormente recolhidas estão manga, pitanga, goiaba, pinha ou abacate.
Outro parceiro do projeto é a empresa Vista Verde Tours, que se ocupa do turismo rural e sustentável, turismo de montanha e turismo comunitário, envolvendo os turistas que visitam Cabo Verde.
“Então lancei-lhes o desafio, para cada turista que vier a Cabo Verde plantar uma árvore”, refere o mesmo responsável, indicando que o desejo é envolver empresas, instituições, artistas e outros ativistas sociais para apadrinhar bairros ou escolas da capital com plantas fruteiras.
Até porque outro objetivo, diz, é aumentar a capacidade de plantação, chegando a outras zonas de Santiago e, quiçá, a outras ilhas de Cabo Verde, envolvendo sobretudo os turistas que procuram o paÃs para além do sol e praia.
“Essa é a ideia, não virem para Cabo Verde só para curtir a morabeza [a arte de bem receber], mas contribuir para algo importante que é a sustentabilidade, ajudar-nos também nessa luta, dar esse contributo e deixar uma marca”, salienta o promotor da iniciativa, antes de receber um grupo de turistas alemãs, que, juntamente com as crianças, plantaram árvores para se juntarem à s já existentes no horto escolar de Capelinha, que já tem bananeiras e papaieiras.
Uma das turistas foi Ulrike Vollmer, que na sua primeira vez em Cabo Verde, já começou a dar o seu contributo, e plantando com toda a naturalidade, tal como faz no jardim que tem na Alemanha, onde também colhe frutas e vegetais.
“Se estiver stressada, vou para o meu jardim para relaxar, gosto muito. E também para tirar alguma coisa para comer, é muito agradável para mim”, descreve a turista alemã, que dá nota positiva ao projeto Cidade Verde, referindo que é o que todos devem fazer para “salvar o nosso planeta”.
“Plantar árvores e outras plantas, as nossas populações têm essa ideia de salvar o nosso planeta e estou muito contente por saber que isso acontece também aqui”, afirma, salientando a importância de continuar projetos do género durante todo ano.
“Para mim, é muito importante saber, e gosto muito, que nós, da Alemanha, possamos plantar árvores aqui, em Cabo Verde. É uma grande ideia e é muito importante que continue”, deseja Ulrike Vollmer, que, juntamente com os restantes turistas, prometeu ajudar o projeto.
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