
Bruxelas, 01 mar 2026 (Lusa) — A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, classificou hoje como “imperdoáveis os ataques do Irão” aos países do Médio Oriente, ameaçando-o com mais sanções caso continue a pôr em risco a segurança regional.
“O Médio Oriente tem muito a perder com qualquer guerra prolongada. Os ataques do Irão e a violação da soberania de vários países da região são imperdoáveis. O Irão deve abster-se de ataques militares indiscriminados. Expressamos a nossa solidariedade aos parceiros da região que foram atacados ou afetados [e] reiteramos o nosso compromisso com a estabilidade regional e com a proteção da vida civil”, declarou a Alta Representante da União Europeia (UE) para a Política Externa num comunicado.
A responsável vincou que a UE “tem repetidamente instado o Irão a pôr fim ao seu programa nuclear, a restringir o seu programa de mísseis balísticos, a abster-se de atividades desestabilizadoras na região e na Europa e a cessar a terrível violência e repressão contra o seu próprio povo”.
“Continuaremos a proteger a segurança e os interesses da UE, incluindo através de sanções adicionais”, afiançou.
“Os acontecimentos no Irão não deverão conduzir a uma escalada que possa ameaçar o Médio Oriente, a Europa e outras regiões, com consequências imprevisíveis, também na esfera económica. Deve evitar-se a interrupção de vias navegáveis fundamentais, como o Estreito de Ormuz”, sustentou.
Kallas indicou que a UE se mantém “em contacto próximo com os parceiros da região para contribuir para o desanuviamento” e reafirma o seu “firme compromisso (…) com a salvaguarda da segurança e da estabilidade regional”.
A UE “continuará a contribuir com todos os esforços diplomáticos para reduzir as tensões e alcançar uma solução duradoura para impedir o Irão de obter armas nucleares”, assegurou.
“A plena cooperação do Irão com a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), bem como a adesão às suas obrigações jurídicas ao abrigo do Tratado de Não-Proliferação Nuclear e do Acordo de Salvaguardas Abrangentes, são fundamentais, e a segurança nuclear é uma prioridade crítica”, insistiu.
Além disso, acrescentou, também “a preservação da segurança marítima e o respeito da liberdade de navegação são da maior importância”.
Kaja Kallas reiterou “a solidariedade da UE com o povo iraniano” e o firme apoio às suas “aspirações a um futuro em que os seus direitos humanos universais e liberdades fundamentais sejam plenamente respeitados” e, quanto à segurança dos cidadãos da UE na região, afirmou que “a UE e os seus Estados-membros estão a tomar todas as medidas necessárias (…), incluindo a ativação do Mecanismo de Proteção Civil da UE, se necessário”.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado de manhã um ataque ao Irão para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região e alvos israelitas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa “eliminar ameaças iminentes” do Irão, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justificou a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial”.
Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, o que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.
O Irão já confirmou a morte do ayatollah Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989, e decretou um período de luto de 40 dias.
Segundo a Cruz Vermelha iraniana, os bombardeamentos fizeram até agora pelo menos 200 mortos e cerca de 750 feridos.
Portugal, França, Alemanha e Reino Unido condenaram os ataques de retaliação do Irão a países vizinhos.
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