Ataque a cidade israelita de Dimona é resposta a ataque ao complexo nuclear de Natanz — TV estatal iraniana

Teerão, 21 mar 2026 (Lusa) — A televisão estatal iraniana classificou o lançamento de um míssil hoje sobre a cidade israelita de Dimona, onde existe um centro de investigação nuclear, como “uma resposta” ao ataque de Israel ao complexo nuclear iraniano de Natanz.

A Organização de Energia Atómica do Irão tinha anteriormente indicado que o complexo de enriquecimento de combustível de Natanz, no centro do Irão, tinha sido alvo de ataque hoje de manhã, precisando que “nenhuma fuga de material radioativo tinha sido identificada” na zona.

À tarde, o Magen David Adom (MDA, equivalente israelita da Cruz Vermelha) anunciou ter assistido 39 pessoas feridas com estilhaços num ataque de mísseis iraniano à região de Dimona, no sul de Israel.

Num comunicado, o MDA indicou que, entre os feridos atingidos por estilhaços, se encontram um menino com cerca de dez anos, em estado grave, e uma mulher na faixa dos 40.

A televisão israelita exibiu imagens de um edifício de apartamentos com a fachada praticamente destruída, crivada de buracos e estilhaços, numa zona urbana.

A localização exata dos pontos atingidos é ainda desconhecida, mas as imagens divulgadas nas redes sociais mostram explosões em áreas urbanas.

A cidade de Dimona alberga o Centro de Investigação Nuclear do Neguev Shimon Peres, uma instalação dedicada a pesquisa que, segundo a imprensa estrangeira, esteve envolvida na produção de armas nucleares nas últimas décadas.

Há pouca informação disponível sobre a instalação nuclear de Dimona, uma vez que Israel mantém uma política de “ambiguidade estratégica”, não confirmando nem negando a posse de armas nucleares.

Após a difusão nas redes sociais de imagens mostrando uma bola de fogo a atingir o solo, o Exército israelita, indicou tratar-se do “impacto direto de um míssil num edifício” da cidade de Dimona.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação, o Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases militares norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

Incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre, na Turquia e no Azerbaijão.

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