Astrónomos detetam disco de detritos singular que prevê futuro do Sistema Solar

Berlim, 28 out 2026 (Lusa) – Uma equipa de astrónomos encontrou um disco de detritos invulgar em torno de uma estrela morta, que oferece uma visão do que poderá acontecer no Sistema Solar, adiantou na terça-feira, em comunicado, o Observatório Europeu do Sul (ESO).

Segundo a organização, sediada na Alemanha, ao contrário de sistemas semelhantes estudados anteriormente, os restos, ou seja, o que resta dos planetas que um dia orbitaram a estrela, estão organizados num disco duplo, com as duas partes separadas por uma lacuna bem definida.

O disco, detetado pelo Very Large Telescope (VLT) no deserto do Atacama, parece ser moldado por dois corpos planetários, um deles, possivelmente, do tamanho de Plutão, que sobreviveram à morte violenta da estrela.

“Já sabemos há algum tempo que os planetas podem sobreviver à transformação da sua estrela central, mas este é o primeiro exemplo de um sistema complexo com um duplo disco de detritos e, potencialmente, dois planetesimais sobreviventes”, declarou em comunicado Nicola Gentille Fusillo, astrónomo da Università degli Studi di Trieste (Itália) e autor principal do estudo publicado na terça-feira na Nature Astronomy.

A estrela central deste sistema é a anã branca J1328-1450, o núcleo denso e esgotado que restou após uma estrela semelhante ao Sol ter ficado sem combustível.

À medida que estrelas como o Sol entram nas fases finais da sua vida, expandem-se e libertam as suas camadas exteriores, engolindo e destruindo planetas próximos.

Segundo a equipa de astrónomos, a complexa estrutura dupla é, provavelmente, mantida por dois corpos sobreviventes semelhantes a planetas, situados em órbitas distintas.

Estima-se que o anel interior tenha o tamanho de um asteroide típico, com alguns quilómetros de diâmetro, enquanto o exterior poderá ser tão grande como Plutão, ou até do tamanho da nossa Lua.

Todos os discos de detritos conhecidos em redor das anãs brancas foram identificados pela mesma assinatura observacional, o que indica a presença de um único disco plano e em rotação.

No entanto, novas observações mostram que o sistema J1328-1450 quebra completamente este padrão, ao revelar os vestígios de um disco duplo.

As observações revelam ainda que elementos como o cálcio, o oxigénio, o magnésio e o ferro estão presentes no disco, indicando uma composição semelhante à do material planetário rochoso encontrado no Sistema Solar.

Além disso, os dados indicam que os dois anéis do disco têm composições bastante distintas, pois o anel interior é rico em magnésio, enquanto o exterior, em grande parte, carece deste elemento.

Isto sugere que os planetesimais que alimentam os anéis tiveram origem em dois planetas com composições diferentes.

Outra explicação é que são o resultado de diferentes partes de um corpo celeste, como a crosta e o núcleo de um planeta.

O Sistema Solar poderá ter um fim semelhante, uma vez que o Sol, num futuro longínquo, se tornará uma anã branca, um processo que poderá destruir a Terra.

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