
Redação, 09 set 2022 (Lusa) – Associações e movimentos cÃvicos da serra da Estrela discutiram as “grandes preocupações e desafios” que se colocam ao território após os incêndios e consideraram que agora será a oportunidade para aplicar uma estratégia “séria e transversal”.
Em comunicado dirigido ao ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, as 14 entidades subscritoras referiram que esta será “a derradeira oportunidade para se desenhar uma estratégia séria e transversal de conservação e recuperação” da serra da Estrela, “tanto a nÃvel ambiental, como económico e sociocultural”.
Depois de discutirem “as grandes preocupações e desafios que se antecipam” para o território, “nas próximas semanas e meses”, e de se disponibilizarem a contribuir para o relatório de diagnóstico, as associações lembraram que têm um papel importante no envolvimento das comunidades que, a par de facilitarem o acesso à informação, são “fundamentais no desenho e implementação das estratégias de desenvolvimento local”.
“Qualquer estratégia que se venha a desenhar para a reconstrução dos ecossistemas e dos modos de vida das comunidades existentes na área do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) deverá ser idealizada a partir das bases, tendo em consideração as especificidades dos diferentes locais da serra da Estrela e em colaboração com os agentes locais”, apontaram.
Segundo o comunicado conjunto do movimento associativo enviado hoje à agência Lusa, a estratégia a desenvolver para o PNSE “deve ser sustentável e, como tal, estar alicerçada na diversidade de atividades sociais, culturais e económicas que fazem parte da serra da Estrela, nomeadamente as atividades tradicionais, mas também o turismo sustentável e atividades agrossilvopastoris que são, elas mesmas, responsáveis pela gestão e segurança de grande parte da paisagem”.
“A par da estratégia de recuperação ambiental alicerçada na promoção das atividades tradicionais, a serra da Estrela é um espaço amplo e abrangente para potenciar o desenvolvimento de uma sucessão ecológica funcional com ecossistemas diversos, completos e abundantes em fauna e flora que diferenciam a recuperação deste território com vista à sua resiliência futura face aos desafios climáticos e antropogénicos do futuro”, defenderam.
As associações também alertaram para as dificuldades associadas à s questões da propriedade dos terrenos, “que podem ter elevado impacto na capacidade de implementação da estratégia que venha a ser desenhada” e recomendaram “que seja tida em consideração a diversidade de conhecimento já produzido/evidência e as boas práticas já implementadas em outras áreas protegidas nacionais e internacionais no processo de definição da estratégia de recuperação e reconversão do PNSE”.
A serra da Estrela foi afetada por um incêndio que deflagrou no dia 06 de agosto em Garrocho, no concelho da Covilhã (distrito de Castelo Branco) e que foi dado como dominado no dia 13.
O fogo sofreu uma reativação no dia 15 e foi considerado novamente dominado no dia 17 do mesmo mês, à noite.
As chamas estenderam-se ao distrito da Guarda, nos municÃpios de Manteigas, Gouveia, Guarda e Celorico da Beira, e atingiram ainda o concelho de Belmonte, no distrito de Castelo Branco.
No dia 25, o Governo aprovou a declaração de situação de calamidade para o PNSE, afetado desde julho por fogos, conforme pedido pelos autarcas dos territórios atingidos.
A situação de calamidade foi já publicada em Diário da República e vai vigorar pelo perÃodo de um ano, para “efeitos de reposição da normalidade na respetiva área geográfica”.
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