
Maputo, 31 mar 2025 (Lusa) – Bean, um cão de oito anos, foi agredido e abandonado no centro de Maputo até ser resgatado por uma associação de defesa dos animais que, com voluntários e sem grandes meios, tenta lutar contra os maus-tratos e dificuldades.
“Fomos contactados por residentes [do centro de Maputo] e disseram que viram um cão que estava deitado no mesmo local já há alguns dias, sem se mexer, e quando fomos lá realmente encontramos o Bean”, que “estava imóvel”, conta Felicidade Leonilde, defensora dos direitos de animais e da direção da Associação Amigos dos Animais (AdA).
A associação reclama da insuficiência de espaços para albergar mais animais, que continua a resgatar das ruas de Maputo.
“Claramente que as nossas instalações são limitadas e quando estamos lotados não podemos mais trazer cães, porque temos que ter cães e ao mesmo tempo garantir um certo conforto para eles”, diz Felicidade Leonilde.
Bean é apenas um dos 23 cães, uma pequena amostra dos cachorros tirados das ruas pela associação que luta pelos direitos dos animais, depois de sofrerem algum tipo de violência e que agora estão disponÃveis para adoção, sendo que a associação possui igualmente 36 gatos, também vÃtimas de violência e abandonados nas ruas.
Só em 2023 a AdA resgatou 39 cães, dos quais 30 adultos e nove filhotes, contra 33 resgatados no ano passado. Bean faz parte desta lista dos animais resgatados e que antes sofriam maus-tratos, como exploração e venda dos mesmos em situações deploráveis, situação que é denunciada pela associação.
Agora com oito anos, Bean foi resgatado em 11 de abril de 2024, na avenida 24 de julho, no centro de Maputo, quando tinha sido abandonado à sua sorte, depois de sofrer uma agressão ocular.
Ganhou um abrigo, temporário como a famÃlia que encontrou nas instalações da AdA, que surgiu em 2019 e que agora funciona no recinto da Faculdade de Veterinária da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).
“[Bean] É um dos que está a espera de ser adotado e vamos ver, tem que aparecer uma famÃlia que se apaixone por ele, porque tem sido assim, as pessoas vêm cá, visitam as instalações, os cães, brincam, à s vezes vêm com suas crianças para ver se existe uma relação com o cão e quando existe conexão decidem pelo cão”, detalha Felicidade Leonilde.
A responsável explica que o canil da associação vai fornecendo comida para os animais que acolhe, apesar dos vários meses que se passam até à adoção, enquanto tentam garantir que novos abusos não aconteçam.
“A exploração dos cães, a venda, é crueldade disfarçada em comércio (…) Muitas vezes somos solicitados, pessoas veem cães abandonados na estrada, ligam e nós vamos lá responder à chamada. Às vezes somos nós próprios que vemos um cão numa situação de perigo e paramos”, diz Leonilde.
A associação AdA garante continuar a resgatar mais animais das ruas, não obstante usar meios próprios, com auxÃlio de voluntários.
“Há situações a que somos chamados e não podemos fazer nada, porque [o cão] está dentro do quintal, não temos autorização para entrar, mas há casos em que forçamos a situação e entramos”, admitiu Felicidade Leonilde, concluindo: “Pessoalmente já tive que saltar um muro para salvar um cão que os proprietários abandonaram na residência, foram viver noutro lugar”.
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*** Pretilério Matsinhe (texto), Fernando Cumaio (vÃdeo) e LuÃsa Nhantumbo (fotos), da agência Lusa ***
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