
Lisboa, 11 out 2022 (Lusa) – As 950.000 toneladas de cabos descartados no último ano em todo o mundo chegariam para dar 107 voltas ao planeta, nas contas da associação Electrão, que hoje considerou urgente promover a reciclagem de equipamentos elétricos.
Por ocasião do Dia Internacional dos ResÃduos Elétricos, que se celebra a 14 de outubro (sábado), o Eletrão vai montar junto à Casa dos Bicos, em Lisboa, uma instalação de vários aparelhos usados, convidando a população a “ligar-se” à ideia de reciclar os materiais inutilizados.
“Estes cabos contêm cobre, material crÃtico na Europa, numa altura em que se prevê que a procura deste elemento aumente seis vezes até 2030, para satisfazer as necessidades de setores estratégicos como as energias renováveis, a indústria, comunicações e defesa”, afirma a associação, em comunicado hoje divulgado.
Os cabos são um dos tipos de equipamentos “invisÃveis”, a temática que serve de mote à 6.ª edição do Dia Internacional dos ResÃduos Elétricos.
Os designados equipamentos elétricos invisÃveis são aparelhos de pequena dimensão que funcionam com baterias, fichas ou cabos, mas que dada a pequena dimensão são frequentemente desvalorizados e incorretamente depositados no lixo.
“Isto acontece também com comandos, carregadores, auscultadores, pen usb, cartões de memória, cartões Multibanco, lâmpadas, escovas de dentes elétricas, relógios, entre outros objetos”, referiu a associação, exemplificando que mais de 7,3 mil milhões de brinquedos elétricos – como automóveis, comboios, objetos musicais, bonecos e drones foram transformados em resÃduos, no ano passado, o equivalente, em média, a um brinquedo por cada pessoa em todo o mundo.
“As pessoas têm dificuldade em identificar estes pequenos equipamentos como aparelhos elétricos e guardam-nos no fundo das gavetas ou colocam-nos no lixo indiferenciado, o que significa que acabam muitas vezes depositados em aterro ou incinerados, contribuindo para o aumento das emissões. Se estes equipamentos forem reciclados, é possÃvel reaproveitar os materiais reintegrando-os na economia e evitando a extração de novas matérias-primas”, sublinhou o diretor-geral do Electrão, Ricardo Furtado, citado no comunicado.
Apesar de não estarem visÃveis, os cabos contêm matérias-primas crÃticas, consideradas cruciais para a transição digital e ecológica, servindo para a produção de novos equipamentos elétricos.
” A correta reciclagem dos equipamentos invisÃveis permitiria a recuperação anual de matérias-primas crÃticas na ordem dos 10 milhões de euros”, lê-se no documento.
Os equipamentos elétricos são os resÃduos que registam o maior crescimento a nÃvel mundial. Além das matérias-primas crÃticas contêm várias substâncias perigosas, como o chumbo, o mercúrio, o cádmio e os retardadores de chama, que podem contaminar o solo e as fontes de água, poluindo os ecossistemas e colocando em risco a saúde humana.
O ritmo da produção destes resÃduos continua a crescer “de forma alarmante” e os dados sobre o descarte incorreto são “cada vez mais preocupantes”, defendeu a associação.
De acordo com as Nações Unidas, só este ano, serão gerados oito quilos de resÃduos de equipamentos elétricos por pessoa, a nÃvel global, o que significará um total de 61,3 milhões de toneladas.
Na Europa, 55% dos resÃduos elétricos são oficialmente recolhidos, mas, segundo dados das Nações Unidas, noutras partes do mundo as taxas de reciclagem rondam apenas os 17%.
Até 17 de outubro, será possÃvel deixar pequenos equipamentos elétricos para reciclagem no Largo José Saramago, junto à Casa dos Bicos, no âmbito da iniciativa agora apresentada, que inclui visitas de escolas e uma sessão pedagógica de perguntas e respostas.
A 6.ª edição do Dia Internacional dos ResÃduos Elétricos, a que o Electrão se associa, é promovida pela associação internacional que representa entidades gestoras de resÃduos elétricos — o WEEE Forum.
O Electrão — Associação de Gestão de ResÃduos é a entidade responsável por três dos principais sistemas de recolha e reciclagem de resÃduos: embalagens, pilhas e equipamentos elétricos usados.
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