
Luanda, 15 mar 2024 (Lusa) — O presidente da Associação de Hotéis e Resorts de Angola (AHRA) saudou hoje o Plano Nacional de Fomento ao Turismo (Planatur), que prevê criar 50 mil empregos diretos, até 2027, número que considerou fácil de atingir.
Ramiro Barreira realçou que, pela primeira vez, o Governo angolano assumiu, com o plano aprovado quinta-feira, o turismo como uma “área de vanguarda de desenvolvimento da economia do paÃs”.
“Significa que pela intensidade do setor do turismo, facilmente conseguimos atingir 50 mil empregos diretos e depois também os indiretos e recuperar muitos empregos que o setor perdeu nos últimos anos com a covid-19 e a crise que se abateu nos últimos anos também”, disse Ramiro Barreira à agência Lusa.
O plano prevê ainda para este ano a criação de 5.000 empregos, tendo Ramiro Barreira considerado que esta meta se atinge rapidamente com as unidades hoteleiras a serem privatizadas este ano, no âmbito do Programa de Privatização do Governo.
“Com a entrada em funcionamento da maior parte deles e o arranque de alguns projetos, principalmente também o reinÃcio da atividade do aeroporto [internacional] de Luanda, e o desenvolvimento de outros projetos nas provÃncias, é possÃvel. O que não se conseguir este ano, pode-se recuperar no inÃcio do próximo ano”, frisou, lembrando que “o plano tem três meses de atraso”.
O Presidente angolano, João Lourenço, aprovou, quinta-feira, o Planatur 2024-2027, que, numa primeira fase, prevê investimentos em pontos turÃsticos das provÃncias de Benguela, Cuando Cubango, Cuanza Norte, Luanda, HuÃla, Namibe, Malanje e Zaire.
Segundo Ramiro Barreira, a melhoria das infraestruturas rodoviárias nas principais provÃncias consignadas no plano é uma medida importante, bem como os polos turÃsticos em desenvolvimento em Calandula, Cabo Ledo, Cuando Cubango, assim como os programas especÃficos para os produtos turÃsticos, nomeadamente a construção de pequenos estabelecimentos comerciais para a venda de ‘souvenirs’ (lembranças), entre outros.
O presidente da AHRA saudou “todas as infraestruturas que, no fundo, contribuam significativamente” para tornar “o potencial turÃstico em produtos turÃsticos, que poderão ser vendidos aos turistas”.
“Por outro lado, parece-me também que, ao nÃvel do financiamento, o Fundo de Garantia de Crédito também vem dar outro alento ao setor”, sublinhou.
Com uma disponibilização financeira do Estado de cerca de 2,5 biliões de kwanzas (2,7 mil milhões de euros), prevê-se a criação de 3.175 quatros, a asfaltagem de 500 quilómetros de estradas de acesso aos polos turÃsticos até 2027, além de 600 quilómetros de terraplanagem.
Ramiro Barreira realçou que é necessário financiar projetos, essencialmente ligados aos operadores turÃsticos, unidades hoteleiras, restauração, transportes para turistas, agências de viagens, todo o segmento ligado ao turismo, “por isso o plano de financiamento do setor também é muito importante”.
Ao setor privado, no quadriénio, cabe um financiamento de 247 mil milhões de kwanzas (273,5 milhões de euros) para o fomento do turismo.
O responsável da AHRA destacou, também, ações da parte institucional, como a formação e organização, considerando que se se conseguir fazer o que está previsto no Planatur “já vai ser um passo muito importante”.
“O importante é a mobilização de recursos financeiros para o projeto de curto, médio prazo (…). Se conseguirmos mobilizar os recursos financeiros, vai ser um passo muito importante e depois a implementação, os ‘players’ [agentes] para implementar é a parte mais importante”, acrescentou.
O presidente da ARHA disse que o setor privado e, particularmente, a associação que dirige, estão à espera e mobilizados para que possam responder positivamente ao Planatur e ajudar as polÃticas do Governo, que, por sua vez, disse, deve responder à s necessidades do setor.
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